Reflexões sobre educação inclusiva

 

junho de 2009

Introdução

O que é e o que não é a inclusão? O conceito de educação inclusiva, apesar de estar à beira de completar seus belos 40 anos ainda paira como incógnita, como uma nuvem de fuligem nas pessoas envolvidas no processo educacional. Pais, professores e governantes ainda se trombam em idéias equivocadas sobre o conceito de educação inclusiva.

Os pais, orientados apenas por breves chamadas de comerciais ou inserções fora de contexto em novelas e programas de auditório, são levados a crer que a educação inclusiva deve tratar seus filhos com necessidades educacionais como os que estão dentro da média. Os pais das outras crianças, por sua vez ainda mais desinformados, temem pelo “contágio” desse “problema” em seus belos rebentos que estão na média.

Os governantes utilizam-se de artifícios numéricos para ‘depositar’ crianças especiais em salas comuns para cumprir as “metas” dos acórdãos internacionais que lhes garantam mais verbas e votos para o próximo orçamento/mandato impondo a simples “inclusão” da criança especial com o braço forte de quem obriga sua aceitação em sala de aula apesar de saber oficiosamente que seu corpo docente não foi devidamente treinado para recepcionar tal aluno no ambiente “dos comuns”.

Professores, por sua vez, embriagados na rotina pesada de seu ofício têm poucas chances, acessos ou motivações para exercitar sua criatividade e o perfil de educação continuada e acabam, às vezes, “empurrando a situação com a barriga” a fim de que possam exercer seu ofício num posto público de ensino da melhor forma que podem diante do ferramental disponível.

Tal cenário, apesar de comum, é um belo disfarce do que se chama erroneamente INCLUSÃO, mas que, em realidade nua e crua, retrata algo mais parecido com a “normalização”.

O princípio da normalização diz respeito a uma colocação seletiva do indivíduo portador de necessidade especial na classe comum. Neste caso, o professor de classe comum não recebe um suporte do professor da área de educação especial. Os estudantes do processo de normalização precisam demonstrar que são capazes de permanecer na classe comum.
  O processo de inclusão se refere a um processo educacional que visa estender ao máximo a capacidade da criança portadora de deficiência na escola e na classe regular. Envolve fornecer o suporte de serviços da área de Educação Especial através dos seus profissionais. A inclusão é um processo constante que precisa ser continuamente revisto.
(Mrech,sd).

Inclusão implica em permitir que TODOS tenham as condições de serem atendidos. Educação Inclusiva implica em que TODOS sejam atendidos em seu direito à educação de forma independente às suas condições físicas, motoras, sociais, intelectuais. E é neste ponto que reside a principal confusão. O fato de ATENDER a TODOS não implica, necessariamente, em que TODOS sejam atendidos da MESMA FORMA.

Cada aluno deve ser atendido conforme as suas necessidades. Sejam elas especiais ou não. A incorporação de alunos “fora da média” na classe comum torna necessária a preparação do professor para que TODOS sejam atendidos com qualidade e respeito.

Considerações Gerais

Há, em nossa sociedade, algumas mentes visionárias que, à frente de seu tempo, enfrentam com entusiasmo causas difíceis e, muitas vezes, inglórias aos olhos “da média”.

Apesar dos atos desses luzeiros, o caminho a ser trilhado rumo à aplicabilidade plena do conceito de Educação Inclusiva é longo e ainda pedregoso.

Educação inclusiva, com o significado inerente ao termo inclusiva, ainda nos remete à confusão de que o direito de que todos sejam incluídos implica em que todos devem ser tratados da mesma maneira. A dissociação da “inclusão” com a semântica de “mesma forma” é, talvez, a meta mais audaciosa que tenhamos de vencer se nossa sociedade realmente estiver disposta a tornar a Educação Inclusiva em fato, ao invés de sonho.

Referências

Mrech, Profa. Dra. Leny Magalhães. O que é educação Inclusiva? Somos todos iguais? [Online] [Citado em: 01 de 06 de 2009.] http://www.inclusao.com.br/projeto_textos_23.htm.

Oliveira, Anna Augusta Sampaio de e Leite, Lucia Pereira. 2007. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação. Construção de um sistema educacional inclusivo: um desafio político-pedagógico. Scielo – Scientific Electronic Library On-Line. [Online] 12 de 2007. [Citado em: 01 de 06 de 2009.] <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362007000400004&lng=pt&nrm=iso. 0104-4036.

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