O professor e o ato de ensinar (Resenha)

O artigo científico objeto desta resenha é intitulado “O professor e o ato de ensinar” está disponível para consulta pública a partir do site Scientific Electronic Library Online (http://www.scielo.br).

Elizabeth Tunes possui graduação em Psicologia pela Universidade de Brasília (1971), mestrado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo (1976) e doutorado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo (1981). Atualmente é pesquisador associado da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento atuando principalmente nos seguintes temas: conhecimento científico e conhecimento escolar, relação professor-aluno, aprendizagem e desenvolvimento, desenvolvimento psicológico atípico e deficiência mental.
Texto informado pelo autor retirado da publicação de seu currículum do sistema Lattes disponível em < http://lattes.cnpq.br/0384208157289616 > acesso em 30 de setembro de 2008.

Maria Carmen Villela Rosa Tacca possui graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Franca (1974), mestrado em Educação pela Universidade de Brasília (1994) e doutorado em Psicologia pela Universidade de Brasília (2000). Conclui estudos de Pós-doutorado na PUC-Campinas, abordando a questão da aprendizagem relacionada à subjetividade humana em parceria com o Prof. Dr. Fernando Luis González Rey. É professora adjunta da Universidade de Brasília- Faculdade de Educação, atuando em ensino e pesquisa na graduação e pós-graduação. Seus estudos e pesquisas enfocam temas gerados na interface da Educação com a Psicologia , com interesse principal nos seguintes tópicos interelacionados: relação professor-aluno, processos comunicativos, a significação da aprendizagem, processo de escolarização e fracasso escolar, cotidiano da sala de aula, ação docente e desenvolvimeto da subjetividade na educação. Tudo isso abrangendo os diferentes níveis de ensino, ou seja, desde a educação infantil até o ensino superior e pós-graduação.
Texto informado pelo autor retirado da publicação de seu currículum do sistema Lattes disponível em <
http://lattes.cnpq.br/5871457781087655 > acesso em 30 de setembro de 2008.

Roberto dos Santos Bartholo Junior, é professor adjunto do Programa de Engenharia de Produção da COPPE – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua atuação profissional tem abrangido os seguintes temas: conhecimento, poder e ética, desenvolvimento social, desenvolvimento sustentável, turismo e desenvolvimento social e gestão social.
Texto informado pelo autor retirado da publicação de seu currículum do sistema Lattes disponível em <
http://lattes.cnpq.br/822640616321749 > acesso em 30 de setembro de 2008.

Referência

TUNES, Elizabeth; TACCA, Maria Carmen V. R.; BARTHOLO JUNIOR, Roberto dos Santos. O professor e o ato de ensinar. Cad. Pesqui. ,  São Paulo,  v. 35,  n. 126, 2005 .  Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742005000300008&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 27  Set  2008. doi: 10.1590/S0100-15742005000300008

Apresentação do artigo

O artigo apresenta a visão dos autores sobre o papel mediador do educador no ambiente de sala de aula a partir das considerações de expectativa de sua conduta mediadora na condução do ensino “instrucional” a partir do conceito de zona proximal de desenvolvimento culminando no entendimento de que o desenvolvimento do aluno é possível somente se houver sua participação efetiva dos envolvidos processo de significação considerando a função mister da educação de fomentar o estabelecimento de relações entre pares e contexto.

O conteúdo

O texto inicia com a introdução das premissas usadas pelos autores sobre o dinamismo das relações inter-pessoais e suas influências inerentes da subjetividade da percepção dos movimentos relacionais

Em seguida, os autores propõem a idéia fundamental da influência da natureza subjetiva da relação professor-aluno pautando-se no dinamismo subjetivo desta relação, o que induz a idéia de que, mesmo com seus papeis bem delimitados, as influências contextuais de ambos os envolvidos no processo são imperceptíveis em cada um deles durante a interação.

Descrevendo inicialmente a intenção do professor na promoção da aprendizagem, os autores conduzem o texto de forma a fazer-se entender de que as ações do professor têm seu objetivo cumprido se estiverem em consonância com o contexto receptivo do aluno, afirmando que o aluno dirige seu processo de aprendizagem. Os autores ratificam sua opinião a partir do pensamento de Vigotsky, incitando à questão fundamental do artigo: como descrever a relação professor-aluno a partir do conceito de zona proximal.

A partir de metáforas, os autores comparam as visões do papel do professor a partir das figuras do “Jardineiro” e do “Escultor” para descrever as expectativas de ação do professor, apresentando como gancho para a discussão a seguinte citação: “o educador jardineiro não tem confiança suficiente; o escultor tem-na em excesso” (Murphy, 1988, p.90).

Os autores discorrem sobre essas visões apresentando o fato de que um estudo cuidadoso da obra de Vigotsky não indica que este participasse da visão individualista da alternância entre as formas de educar do “jardineiro” (permissivo) e do “escultor” (autoritário). A evolução natural do texto, sob a ótica das relações entre professor e aluno, indica que tal interação deve estabelecer uma relação de diálogo e confiança entre os pares envolvidos no processo para que seja a aprendizagem eficaz.

Os trechos seguintes reforçam a idéia de simbiose entre os participantes que, por meio da mediação proposta por Vigotsky (nos símbolos sinais e demais instrumentos de aproximação entre as partes) estabelece-se também a “mediação pedagógica” da relação de confiança entre as partes. A relação simbiótica se caracteriza pela influência que ambos estabelecem nesse processo. O texto, ainda que por um breve momento, mescla a atuação do professor nessa relação como parte integrante do instrumento da aprendizagem.

A seguir, os autores apresentam alguns textos que corroboram a idéia desenvolvida no artigo.

Assim, os autores concluem afirmando que a compreensão que o professor tem do aluno afetam significativamente sua influência neste e que, para realizar uma influência positiva e responsável, o professor deve deixar que o aluno revele-se a ele por si mesmo. As metas e objetivos são importantes e seu papel de ‘instrumento’ da aprendizagem deve ser baseada no estabelecimento de uma relação de diálogo e confiança entre ambos.

Percepções sobre a idéia apresentada no artigo

O texto estabelece uma visão de que o Professor é um instrumento da aprendizagem e que, em sua atuação neste papel, é fortemente influenciado e “moldado” a partir da direção dada pelo aluno no processo de aprendizagem, mas tende a reduzir a importância da condução dada pelo “mestre” no estabelecimento REAL do que se objetiva ao “APRENDER”.

O passeio entre as visões extremas do jardineiro e do escultor dada no texto induziu à perda de referencial do papel do mestre na execução do processo. Quem indica o caminho, a meu ver, continua sendo o mestre. Quem recebe e aprende conduz apenas sua parte do processo de absorção.

Concordo que ambas as vertentes são importantes, mas não mais uma do que a outra. O aluno e o mestre devem estabelecer uma relação de confiança e cumplicidade no projeto “aprender”.

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