A corrente do bem

Trabalho apresentado como Atividade Acadêmico-Científico-Cultural ao Centro Educacional Claretiano

O filme conta a história de um menino que acredita ser possível mudar o mundo a partir da ação voluntária de cada um como um efeito ‘cascata’ a partir de uma regra bem simples: a cada boa ação recebida, você tem de replicar ao menos para três pessoas.

O filme inicia com um professor de estudos sociais descrente das possibilidades de uma turma de alunos sugerindo aos mesmos que pensem em algo que possa mudar o mundo e que seja possível por em prática. Só que, para sua surpresa, um dos alunos (Trevor) decide efetivamente realizar a tarefa.

Num contexto familiar de baixa renda, onde a mãe trabalha em dois empregos como garçonete e o pai ausente, o garoto se inspira na figura do professor e cria a ‘corrente do bem’ com base em três regras elementares: 1 – fazer por alguém algo que este não possa fazer por si mesmo; 2 – fazer isso a três pessoas e, de forma recursiva, 3 – cada pessoa ajudada deve replicar o bem recebido para mais três pessoas. (ao meu ver, uma idéia genial do ponto de vista da sua simplicidade e taxa de propagação geométrica)

O professor, então, se vê espelhado no garoto em um tipo de ‘saudades de si mesmo’ já que enxerga nele o idealismo de seus tempos de juventude. Justamente seus primeiros alvos são a sua mãe e o tal professor. Com base num desejo próprio de viver em um lar estável o garoto tenta aproximar os dois para um relacionamento.

O que sucede é que, pela simplicidade dessas regras da corrente do bem, sua força atinge um nível perceptível à essa mãe que se aproxima desse professor para ajuda-la a compreender o garoto.

O garoto persiste em por em prática a execução da tarefa aplica suas regras em uma boa ação a um jovem sem-teto. A história chega a um jovem repórter que, por sua vez inicia uma ‘perseguição’ do que ele crê ser uma ‘boa história’. Ocorre que, sem a ciência do garoto, as ‘regras’ começam a se espalhar além das fronteiras do seu estado por todo os Estados Unidos.

A maior mensagem encontrada neste enredo é de que é na escola que ocorre a transformação desse garoto e isso, além de acompanha-lo pelo resto de sua vida, tem o potencial (muitas vezes por nós ignorado) de ultrapassar os limites tangíveis de um estudante..

A atitude do professor na proposição do desafio foi determinante para a motivação do garoto. Ao propor uma atividade que, aparentemente, não tinha ligação com a disciplina curricular que deveria lecionar, o professor cansado das mesmices dos adolescentes os quais havia ensinado no passado – sendo essa ‘mesmice’ o fator principal de seu desânimo e descrédito nas pessoas, nas idéias, silenciosamente deu um ‘grito de basta’ que tocou o garoto Trevor.

Os alunos na média reagiram ao ‘basta’ desse professor do mesmo jeito que era esperado por ele. Mas para esse garoto foi diferente. Potencialmente também por que este menino também estava cansado de seu contexto de abandono (pai ausente, mãe que trabalha em dois turnos). O professor puxou o gatilho do grito de ‘basta’ também do menino que por força de sua situação teve de amadurecer além das capacidades esperadas por sua idade (entre 11 e 13 anos).

O filme permite a reflexão sobre o papel do professor nos dias atuais e sugere que o professor tem de instigar a curiosidade, a atitude e o potencial de seus alunos. O professor deve lançar lhes desafios reais! Não somente os desafios articulados pelos exercícios teóricos mais difíceis, mas os desafios cujas soluções possam ser aplicáveis no dia-a-dia.

É com atitudes firmes e simples que os melhores resultados podem ser alcançados.

As atitudes do professor devem ser sempre pautadas pelo respeito às diferenças, dificuldades nos relacionamentos sociais (na família, nos grupos de amigos, com os colegas de classe, com estranhos, com crianças, jovens e velhos).

Ao refletir sobre as causas e consequências delineadas no filme, penso que o docente moderno deve esquecer um pouco o papel tradicional de mero transmissor de conhecimento. O docente deve tornar-se “um aprendiz um tanto mais esperto”, descer do púlpito e permitir que seus discentes evoluam colaborativamente.

Além de transmitir-lhes o conteúdo programático, o docente deve aprender com eles (discentes) sobre as suas necessidades, dificuldades e ideias. Este aprendizado permite ao professor ser realmente um forte agente mediador no processo de aprendizagem cívica e científica.

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