O homem bicentenário

O filme conta uma história de um robô adquirido por uma família, num período futuro onde as máquinas dessa natureza são empregadas para realizar tarefas domésticas. O robô é ‘batizado’ de Andrews. Há alguma programação diferenciada neste robô e a interação com os entes dessa família faz com que este equipamento desperte, de forma gradativa, algo similar ao que denominamos “interesse” em aprender.

Esse robô (interpretado pelo ator Robin Willians) executa as tarefas que lhe são atribuídas e, a partir do acesso concedido aos livros disponíveis na casa, inicia um processo de absorção do conhecimento produzido pela humanidade. A interpretação desse conhecimento produz nesse equipamento – o próprio robô refere-se a si mesmo como ISTO – algo similar ao que denominamos ‘Curiosidade’.

O acesso a esses livros também o permite desenvolver habilidades manuais, especialmente as referentes à construção de relógios e outros artefatos “artesanais”.

A primeira ‘conquista’ efetivada por esse robô é a possibilidade dada por intermédio de seu dono para que os dividendos dos trabalhos manuais sejam creditados em uma conta bancária de sua titularidade – o que representa uma conquista de importância civil.

Em dado momento, o robô, intrigado pelo conceito de liberdade solicita ao seu dono a opção de ‘comprar’ sua liberdade com os dividendos acumulados em seus trabalhos manuais.

“Isto” deixa de ser propriedade dessa família e por determinação de seu ‘dono’, deixa a casa deles. “Você quer a liberdade, Andrews – para tanto, você deve aceitar suas consequências”. Essa é, ao meu ver, uma das frases marcantes do filme. Ele agradece e, nesse momento, deixa de referir-se a si mesmo como “Isto”.

Andrews decide partir em busca de ‘outros da sua espécie’ (robôs do mesmo modelo) e inicia sua jornada em busca de sua origem. Encontra, decepcionado, a maior parte de seus “iguais” ou desativados ou reprogramados obsoletos para realização de tarefas menores. Nenhum deles, no entanto, tem implantado o ‘módulo de raciocínio’ que Andrews possui. Essa busca termina ao encontrar um homem que realiza reparos e detém o conhecimento para melhorias de funcionalidades de robôs similares a Andrews.

Andrews decide, com seus fundos, patrocinar o desenvolvimento e apoiar a pesquisa para a criação dos elementos que possam torná-lo cada vez mais próximo de um ser humano.

As modificações iniciam-se pela aparência.

Andrews decide retornar à casa de seus antigos donos, com aparência modificada e encontra a filha de seu antigo dono envelhecida, mas com uma ‘filha’ muito parecida com ela.

O desenrolar das interações, aliadas às modificações aplicadas em Andrews permite que este desenvolva capacidades de sentimentos, emoções. Essas capacidades culminam em que Andrews se apaixona pela “menininha” (e esta, por ele!)

Os desenvolvimentos de capacidades continuam permeando a vivência de Andrews e a sua ‘escolhida’ de forma que ele passa, gradualmente, a comportar-se como um ser humano normal. O processo de humanização desse robô é, no mínimo, fascinante.

Em um ponto crítico da história, Andrews percebe que sua amada (que é uma humana) está próxima a cumprir o ciclo convencional da vida ‘rumo à morte’. Andrews decide então que deve também cumprir tal ciclo para se tornar humano de verdade. As pesquisas de ‘capacidades’ evoluem então para que isso seja possível Em paralelo Andrews tenta judicialmente reconhecer sua condição de Humano. Em cada julgamento realizado, algum aspecto das diferenças entre um robô e um humano é fator impeditivo até que, quando não sobram mais argumentos de diferenciação, é declarado Humano pelo “Presidente do mundo” em concomitância com sua ‘morte’ aos 200 anos.

Em termos de prática docente, o filme nos leva a refletir sobre a nossa condição humana e de como devemos valorizar cada característica complexa que nos torna tão iguais e, ao mesmo tempo. tão diferentes uns dos outros. O professor deve ser levado a permitir que cada um, com sua característica própria tenha os devidos benefícios do processo de aprendizagem (o robô teve 200 anos para aprender a ser gente! Nós temos, no melhor cenário algo próximo a 1/3 desse período para realizar a mesma tarefa posto que morremos antes!). O professor ainda deve considerar que a aprendizagem DEVE levar o aluno à LIBERDADE, isto é, deve permitir que esse faça suas próprias escolhas de maneira livre – liberdade essa que só se conquista de fato com o conhecimento.

Esse assunto tem alguma ligação com o que foi escrito nesse post anterior sobre a Coisificação das Pessoas

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