Livro: Sociedade Informática

O livro trata dos impactos das novas tecnologias computacionais na vida das pessoas a partir da reflexão das consequências dos recursos tecnológicos contemporâneos no trabalho, no tempo livre e vida social – especialmente com relação à educação – comparando as facilidades e potencialidades de impacto positivo dessas tecnologias com as dificuldades suscitadas pelo seu uso.

O livro é organizado em duas grandes partes, sendo que a primeira discorre sobre as consequências sociais da revolução técnico-científica vivenciada pela humanidade. O autor faz um paralelo com a revolução industrial na tentativa de estabelecer bases de identificação do que chama de ‘segunda revolução industrial’ e suas consequências. A segunda parte do livro trata do indivíduo inserido nessa ‘sociedade’ remodelada – que chama de sociedade informática – onde discorre sobre os possíveis destinos dessa sociedade a partir das mudanças identificadas.

O autor afirma que a humanidade vive uma segunda revolução técnico-industrial. Sendo que a primeira ocorreu entre o final do século XVIII e o início do século XIX, e foi marcada pela substituição da produção da força física do homem pela energia das máquinas. A segunda revolução técnico-industrial é fortemente caracterizada pela potencialização das capacidades intelectual do homem a partir da aplicação de autônomos para a substituição das tarefas humanas com o risco de tendência de eliminação completa da necessidade do trabalho humano..

Essa revolução industrial, segundo o autor, pode ser dividida em revolução microeletrônica, técnico-industrial e da microbiologia. Nesse último aspecto o autor chega a afirmar que o homem poderá dominar não somente a natureza mas também a sua visão de indivíduo.Nesse aspecto, o homem poderá aplicar tais conhecimentos a fim de melhorar o bem estar da humanidade apesar das consequências negativas que podem advir desse conhecimento.

O autor elenca entre os problemas inerentes desta revolução industrial a possibilidade de desemprego massivo criado pela crescente substituição do esforço humano pela força produtivo de robôs e autômatos similares. Se a tendência de substituição total da força produtiva por robôs se confirmar, poderão haver consequências econômicas bem severas posto que haverá mais pessoas desempregadas do que se é capaz de manter – e, neste caso, o governo deverá suprir tais as necessidades dessas pessoas às custas dos dividendos obtidos com tais automações.

Como consequência inerente ao problema do desemprego, as relações sociais deverão se transformar significativamente posto que as diversas formas de ocupações laborais não deverão incorrer necessariamente no desaparecimento da atividade humana. Neste cenário a tendência é de que a classe trabalhadora desapareça dando lugar à outros papeis desempenhados por indivíduos pertencentes a essa classe

Outras consequências apontadas pelo autor são:

  • a eliminação das diferenças entre trabalho manual e intelectual;
  • a eliminação das diferenças entre trabalho urbano e rural;
  • e o igualitarismo econômico como alternativa à superação de desigualdades sociais.

O igualitarismo econômico pode fazer com que as diferenças sociais sejam eliminadas mas a consequência inerente desta mudança pode gerar outras diferenças entre as pessoas.[1]

O crescimento da informatização poderá provocar uma divisão enorme entre os indivíduos que detém informações adequadas e os que não detêm acesso a elas. O autor afirma que tais diferenças podem ser superadas com a aplicação dessas tecnologias para aumentar a qualidade da educação e promover os devidos acessos aos indivíduos a tais recursos através de políticas efetivas voltadas para esta necessidade social.

O autor ainda discorre sobre os impactos políticos (e suas devidas ameaças) e culturais dessas mudanças na sociedade.

NA segunda parte, ao tratar do indivíduo inserido nessa sociedade, o autor busca a resposta para os impactos dessa revolução técnico-industrial para o índivíduo.

Ao considerar as relações do indivíduo e a sociedade, o autor afirma que essas oscilam entre o individualismo e o totalitarismo e que a tendência para esta era é a prevalência do individualismo moderado

Entre os riscos elencados pelo autor estão a potencial manipulação dos acessos e das informações disponíveis por parte do Estado e a utilização das informações para fins não-éticos já que a ‘informação’ será o elemento que definirá a riqueza (tanto da sociedade quanto dos indivíduos nela inseridos). O futuro, neste caso dependerá mais da evolução dessa sociedade em termos ‘democráticos’ ou totalitários.

O autor aponta a possibilidade do surgimento de ‘novos homens’ como consequências inerentes as mudanças da sociedade tais como o homo studiosus – homem estudioso – o homo ludens – homem lúdico – e o homo universalis – universal. Não se trata do surgimento efetivo de novas espécies biológicas e sim da constituição psicológica e comportamental.

Em termos de aplicabilidade na prática docente relativa às reflexões promovidas por este livro, o ponto chave para o sucesso evolucional da sociedade frente às novas tecnologias está fortemente ligada à educação e, especialmente, na aplicação dos recursos tecnológicos para a preparação dos indivíduos para as vivências dessa nova sociedade. O professor não pode furtar-se a participar dessas mudanças (de muito perto) posto que ele será peça fundamental para garantir que o indivíduo seja formado e informado a fim de que a sociedade tal qual a conhecemos não entre em colapso existencial.


[1] Deve se lembrar que as diferenças entre as pessoas é um fator importante na composição da sociedade.

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