O impacto de uma formatura…

Este post, diferente dos demais, é um desabafo despretensioso além de uma forma de compartilhar com vocês, nobres leitores,  o que acontece com uma pessoa quando ela participa de uma formatura (especialmente, a sua própria formatura!)

Antes, porém, deixe-me explicar o contexto:

Eu iniciei minha jornada acadêmica em 1994, ao ingressar no curso de Engenharia Elétrica na Escola Federal de Engenharia de Itajubá. Não que eu soubesse o que queria fazer da minha vida profissional… Meu objetivo era claro: Passar em uma federal para parar de pagar o cursinho – sendo que parte era pago com o meu suor e trabalho.

Ok, tentei permanecer num curso do qual eu não gostava, enfrentei as greves de professores e funcionários, engajei-me nos movimentos religiosos locais, nos movimentos estudantis… enfim. Aprendi muito durante uns 5 ou 6 anos da engenharia – mesmo não tendo evoluído tanto a vida acadêmica nesse curso. Aprendi especialmente como acender uma churrasqueira… e a engenharia ficava sistematicamente para trás.

Num dado momento, achei que seria melhor mudar de curso… a universidade tinha acabado de abrir 9 novos cursos, dentre eles, o de Ciência da Computação… Enfrentei um novo vestibular e passei (de novo, na mesma universidade federal).

Aí eu gostava do curso – em tese não havia desculpas para não concluí-lo! Eu só não contava com o desgaste da minha relação com aquele espaço, professores, etc. Um novo engajamento no movimento estudantil me tirou novamente da sala de aula. Aprendi naqueles dois anos tudo o que se pode aprender sobre empreender, administração de uma empresa, custo, trabalho em equipe e, principalmente, que você pode conseguir bastante experiência apenas por conhecer as pessoas.

O desgaste só aumentou – e parte disso, por uma incrível, incomensurável falta de maturidade da minha parte adicionada a um princípio de alcoolismo no qual eu imbecilmente engatei.

O ápice da minha frustração velada foi estar à mesa da formatura da minha turma de engenharia como presidente do diretório acadêmico. Estava eu lá, cumprimentando um a um, felicitando-os pela capacidade que eles tiveram de estar ali com seus graus de engenheiros colados e eu lá, feito um otário vendo o sucesso deles passar bem abaixo do meu nariz.

Naqueles dias eu chorei feito um menino de colo com cólicas homéricas ao lado de várias garrafas de conhaque.

Então decidi dar um basta naquele sofrimento! Chutei o balde! Enfiei o pé na jaca como nunca havia imaginado que seria possível fazê-lo! Eu simplesmente defequei violentamente na minha vida e fui-me embora pra sumpaulo

Tava ruim lá na bahia,

profissão de bóia fria,

trabaiando noite e dia,

num era isso que eu quiria…

e eu vim me imbora pra sumpaulo!

Vim no lombo de um jumento,

enfrentando chuva e vento e

dando uns peidos fedorentos..

que até minha bunda fez um caaaaaaaaaaalo!!

(Mamonas Assassinas)

seduzido pelas promessas de trabalho e por todas as potencialidades da minha ‘brilhante’ capacidade de superar todos os obstáculos como “SUPERHOMEM” que eu julgava ser.

Afinal, Quem precisa de uma mer$$ de diploma?

…bradava o imbecil prepotente que hoje vos escreve.

Eu só não imaginava que meu inferno velado tinha aberto suas portas e me saudava com diversas homenagens ao idiota que nele adentrava com o tapete vermelho estendido. “Viva o imbecil! Vida longa ao idiota!”

Durante minha estada profissional, tive muita sorte de encontrar, graças a um Deus que eu renegava, e um pouco do meu alto grau de “Sivirômetro”, boas oportunidades profissionais.

Durante essa época, tentei retomar os estudos em uma faculdade local. Mas minha arrogância não me permitiu ter a paciência de um aluno. Eu queria pular as etapas e tornar-me mestre!

Com a previsão da chegada do meu guri, minha namorada que se tornou esposa de fato, já diplomada em Ciências Jurídicas e em Pedagogia me disse: “Mauro, você TEM de ter um diploma.” Você VAI voltar à faculdade (coisa que só uma esposa é capaz de fazer! Mandar o marido fazer alguma coisa.Smile e o marido que é sábio, obedece!

O fato é que ingressei no curso de Licenciatura em Computação, EAD, no Centro Universitário Claretiano.

Foram 3+1 anos de pura pauleira – a quem acha que um curso à distância é moleza, digo-lhes que um “curso presencial é moleza!”

EAD é só para os MELHORES!

A vida é muito dura pra quem é mole (meu pai dizia isso!)

Após algumas lutas para entregar todas as pendências, relatórios, atestados e declarações consegui ser inserido na cerimônia de colação de grau.

Eu não estava preparado para isso. Eu nem sabia como me comportar sendo um formando. Não sabia o que eu estava fazendo ali. Eu só tinha perguntas em mente: Putz, não tá faltando nada mesmo? Não falta entregar mais nenhum relatório, nenhuma ‘pendência acadêmica’? O que eu faço agora com este canudo? [ por favor, não responda! ]  Acabou mesmo? eEta etapa está completa?

E agora? No que esta coisa me torna melhor?

Eu acho que consegui chegar a uma resposta satisfatória!

Perdemos tanto tempo cumprindo tarefas secundárias, sem valor, sem agregação prática, sem alegria, sem desafios efetivos, sem nenhum retorno para satisfazer o ego dos outros – família, trabalho e demais agregados – que não paramos para ‘celebrar’ as conquistas.

O diploma é só um marco, uma CELEBRAÇÃO da conquista árdua e sofrida diante da vida que, por nossas próprias escolhas, pode parecer mais dura do que é de verdade.

O que importa no diploma é o resultado que ele sintetiza depois de tanto esforço.

SAM_0674 (Small)

e a quem acha que diploma não vale nada, minha única recomendação é:

Vá estudar e se, ao final, sua opinião sobre a importância  se manter, a única conclusão que se pode chegar é de que você não se esforçou o suficiente.”

Polifonia (2)

Fábula 1:

Um Leão, que dormia sossegado foi despertado por um Rato, que passou

correndo sobre seu rosto. Com um bote ágil ele o capturou, e estava pronto

para matá-lo, quando o Rato suplicou:

– Ora, se o senhor me poupasse, tenho certeza que poderia um dia retribuir sua

bondade. Rindo por achar ridícula a idéia, ele resolveu libertá-lo.

Aconteceu que, pouco depois, o Leão caiu numa armadilha colocada por

caçadores. Preso ao chão, amarrado por fortes cordas, sequer podia mexer-se.

O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou, roeu as cordas e libertou-o

dizendo:

– O senhor riu da idéia de que eu jamais seria capaz de ajudá-lo. Nunca

esperava receber de mim qualquer favor em troca do seu; Mas agora sabe, que

mesmo um pequeno Rato é capaz de retribuir um favor a um poderoso Leão.

Moral da História: Os pequenos amigos podem se revelar os melhores

aliados.

Autor: Esopo

Fábula 2:

O leão, o burro e o rato

Um leão, um burro e um rato voltavam, afinal, da caçada que haviam

empreendido juntos e colocaram numa clareira tudo que tinham caçado: dois

veados, algumas perdizes, três tatus, uma paca e muita caça menor. O leão

sentou-se num tronco e, com voz tonitruante que procurava inutilmente

suavizar, berrou:

– Bem, agora que terminamos um magnífico dia de trabalho, descansemos

aqui, camaradas, para a justa partilha do nosso esforço conjunto. Compadre

burro, por favor, você, que é o mais sábio de nós três, com licença do

compadre rato, você, compadre burro, vai fazer a partilha desta caça em três

partes absolutamente iguais. Vamos, compadre rato, até o rio, beber um pouco

de água, deixando nosso grande amigo burro em paz para deliberar.

Os dois se afastaram, foram até o rio, beberam água e ficaram um tempo.

Voltaram e verificaram que o burro tinha feito um trabalho extremamente

meticuloso, dividindo a caça em três partes absolutamente iguais. Assim que

viu os dois voltando, o burro perguntou ao leão:

– Pronto, compadre leão, aí está: que acha da partilha?

O leão não disse uma palavra. Deu uma violenta patada na nuca do burro,

prostando-o no chão, morto.

Sorrindo, o leão voltou-se para o rato e disse:

– Compadre rato, lamento muito, mas tenho a impressão de que concorda em

que não podíamos suportar a presença de tamanha inaptidão e burrice.

Desculpe eu ter perdido a paciência, mas não havia outra coisa a fazer. Há

muito que eu não suportava mais o compadre burro. Me faça um favor agora –

divida você o bolo da caça, incluindo, por favor, o corpo do compadre burro.

Vou até o rio, novamente, deixando-lhe calma para uma deliberação sensata.

Mal o leão se afastou, o rato não teve a menor dúvida. Dividiu o monte de caça

em dois: de um lado, toda a caça, inclusive o corpo do burro. Do outro apenas

um ratinho cinza morto por acaso. O leão ainda não tinha chegado ao rio,

quando o rato chamou:

– Compadre leão, está pronta a partilha!

O leão, vendo a caça dividida de maneira tão justa, não pôde deixar de

cumprimentar o rato:

– Maravilhoso, meu caro compadre, maravilhoso! Como você chegou tão

depressa a uma partilha tão certa?

E o rato respondeu:

– Muito simples. Estabeleci uma relação matemática entre seu tamanho e o

meu – é claro que você precisa comer muito mais. Tracei uma comparação

entre a sua força e a minha – é claro que você precisa de muito maior volume

de alimentação do que eu. Comparei, ponderadamente, sua posição na floresta

com a minha – e, evidentemente, a partilha só podia ser esta. Além do que, sou

um intelectual, sou todo espírito!

– Inacreditável, inacreditável! Que compreensão! Que argúcia! – exclamou o

leão, realmente admirado. – Olha, juro que nunca tinha notado, em você, essa

cultura. Como você escondeu isso o tempo todo, e quem lhe ensinou tanta

sabedoria?

– Na verdade, leão, eu nunca soube nada. Se me perdoa um elogio fúnebre, se

não se ofende, acabei de aprender tudo agora mesmo, com o burro morto.

MORAL: SÓ UM BURRO TENTA FICAR COM A PARTE DO LEÃO.

Autor: Millôr Fernandes

As duas fábulas – metáforas potenciais de lições de comportamento social – retratam os pontos de vista das diferenças de poder e suas implicações.

Na primeira, a mensagem é para o forte para que se atente que a força deve ser empregada com moderação e não se deve subestimar a força do outro apenas por sua aparência frágil. O discurso é claramente direcionado aos grandes.

O segundo texto é um aviso para os fracos para que não se esqueçam de que, apesar de serem os potenciais melhores aliados dos fortes, é necessário manter-se vivo para que este potencial seja plenamente exercido no futuro. A mensagem, neste caso, é uma aparente antítese do primeiro discurso que tende a complementar o primeiro conceito apresentado.

A música do segundo texto é complementar à do primeiro – como uma ‘segunda voz’ que aceita a importância dos pequenos e que alerta para a necessidade da prudência desses no uso da sua ‘importância’ na sustentação dos fortes.

O principal elo entre os dois textos é o uso dos mesmos elementos figurativos – o leão e o rato, respectivamente como simbolismo do forte e o fraco – e suas relações sociais.

O burro no segundo texto é um mero ruído de apoio à transmissão do alerta ao ‘rato’. Está ali porque é BURRO, pois se fosse esperto, não se metia na conversa entre leões e ratos.

Polifonia

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Sobre a polifonia nessas imagens

O contexto do quadro de Velázquez remete, além das regras da escola artística barroca, a uma subordinação do artista à realeza, mesmo contento as mensagens subliminares de que, o artista é membro efetivo da cena e merece o seu devido destaque pois se ‘inclui’ na intimidade da família real.

Os ícones dessa intimidade retratam – ainda que de forma tímida – quem ‘manda no pedaço’, a saber, o casal real refletido no espelho no ponto de fuga à esquerda e a pequena princesa ao centro da tela. As principais mensagens enviadas ao longo dos séculos por esta pintura foram devidamente captadas pela releitura dessa mesma cena realizada em 1957 por Pablo Picasso, a saber, do agregado não compromissado à porta da saída do atelier, da anã gananciosa, dos parasitas religiosos que se aplicavam em cuidar dos infantes talvez devido ao conforto proporcionado pela corte e suas possíveis confabulações sobre os circundantes, o garoto impertinente que insiste em ‘reinar’ com o pobre cão que estava alí apreciando o movimento além da própria posição estratégica e enaltecida do pintor (Velázquez) no quadro original.

Picasso, valendo-se do expressionismo (ou cubismo – não consegui distinguir o melhor encaixe para a releitura) ressalta a aparência horrenda da anã gananciosa, a função insossa dos religiosos responsáveis pelo cuidado da infanta, a figura disforme do agregado à porta, o garoto impertinente. Picasso, provavelmente pela raiva – ou paixão – que lhe motivava na maioria das vezes superlativou a percepção da importância de Velázquez e sua obra. Talvez quisesse ele endossar o desejo contido do mestre barroco de ter sua posição efetivamente reconhecida em meio a tantas mediocridades que eram, naquele tempo, enaltecidas.

Picasso tenta, em sua releitura do quadro de Velázquez, reproduzir todos os elementos de desenho existentes em suas devidas posições com a sua própria visão das importâncias ou ênfases da mensagem original.

Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog é fantástico!.

Números apetitosos

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Um duende das estatísticas pintou esta imagem abstracta, com base nos seus dados.

A Torre de Pisa tem umas escadas com 296 degraus até ao topo. Este blog foi visitado cerca de 1,200 vezes em 2010. Se cada visita fosse um degrau, já teria subido a Torre de Pisa 4 vezes

 

In 2010, there were 55 new posts, not bad for the first year! Fez upload de 19 imagens, ocupando um total de 1mb. Isso equivale a cerca de 2 imagens por mês.

The busiest day of the year was 13 de dezembro with 33 views. The most popular post that day was A importância da Avaliação.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram facebook.com, twitter.com, google.com.br, pt-br.wordpress.com e linkedin.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por o professor e o ato de ensinar, perguntas sobre redes sociais, inteligencia artificial na educaçao presencial, resumo do texto o professor e o ato de ensinar e linguagem empresarial

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

A importância da Avaliação novembro, 2010

2

O professor e o ato de ensinar (Resenha) julho, 2010

3

PCN – Parâmetros curriculares nacionais julho, 2010

4

Plágio em trabalhos científicos novembro, 2010

5

O impacto do mau uso da linguagem no contexto empresarial setembro, 2010
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