O tempo e a pressa

 

Todo o anseio ocorre no

Tempo Certo

nem antes

nem depois

Tudo ocorre no tempo certo

e o tempo

que torna

perene a minha alma

poeira a minha casca

e passa manso

a lembrar-me

calmamente

que é meu algoz e senhor

e eu que insisto

em vão

torná-lo escravo

(posto que é patrão)

(posto que é Feitor)

(posto que é grilhão)

Tempo esse que

corroi toda a minha entranha

e faz juz

à fama

de refrigério da alma

que espera

calmamente

pelo dom da paciência

que

normalmente

chega

quando dela não careço mais!

(Mauro Zamaro – Maio/2011)

 

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(esta ilustração acima teve a devida autorização do autor, o amigo JBosco – Lápis de Memória)

Otempoeapressa (Medium)

Working class hero?

Há tempos eu não tenho tido tempo suficiente para aplicar a minha verborréia nesse blog. Muitas coisas têm acontecido nesse início (quase meio) de 2011.

Apesar de estar viajando mais do que antes a trabalho, tenho tido ótimos momentos muito bem vividos com o meu pequeno gurizinho.

Noutro dia ele me disse que quando crescer ele vai querer ser ENTREGADOR DE JORNAL E REVISTAS…

Ainda estou aprendendo a ser pai… eu simplesmente respondi a ele: “Filho, você pode ser o que quiser quando crescer, desde que seja feliz.” e ele ficou lá … me olhando com aquela cara de “Ué?!” e, com um sorrisinho maroto nos lábios, logo voltou a brincar.

Julio (Small)

Enquanto esperava meu motorista coletivo (o famigerado Busão) essa lembrança me veio à mente junto com a letra de uma músicas das mais intrigantes – na minha visão – do meu querido Jão Lennon: Working Class Hero.

Enquanto tomava o café e observava as atendentes do quiosque da rodoviária, pensei no meu guri que acha o máximo ser “entregador de jornais”, na greve dos lixeiros de Americana que vi hoje no telejornal na hora do almoço na padoca do Dedé, na cara do seu Zé – motorista do ônibus que vez ou outra tira um cochilo ao volante quando dobra de turno –, nos caras que recolhem o lixo do escritório na hora do almoço na sede de São Paulo, no manobrista do estacionamento, no sujeito que recolhe as bandejas com pratos sujos nas praças de alimentação e nas diversas pessoas ‘invisíveis’ nas quais esbarramos todos os dias sem sequer falar um mísero “bom dia”…O que será que se passa na cabeça desse moleque em querer ser “entregador de jornal” quando crescer? Como é que será a ‘percepção’ que ele tem quando vê o ‘entregador de jornal’? Que tipo de sinapses são formadas na cacholinha dessa criatura naquele momento? Putz! O que é que significa sucesso?

Eu me recordo de querer cursar a faculdade de música quando estava prestando o vestibular… e me lembro de ter ouvido também que ‘ninguém em casa ia sustentar um vagabundo  estudante num curso de música’. Faça algo como  “engenharia, direito, medicina, enfim… um curso NORMAL” para ser um profissional de SUCESSO. Putz… enfim: A ordem era ser “MAIS DO MESMO”!

E assim foi com a média dos  meus amigos…

E ainda é assim com a média dos indivíduos massificados e que devem ser colocados no molde social do “aceitável’” e do “sucesso”.

Sucesso, para a maior parte dos ‘pais’ é o filho estar numa direção de uma multinacional, ser um médico renomado, um advogado brilhante… ter um carrão de não sei quantos mil dólares, ter iPhones, iPads, iPhodes, Se casar com uma moça magra, ter … ter isso, ter aquilo… enfim…

Nenhum sucesso social é medido pelo IFI – Índice de Felicidade do Indivíduo.

Muitos pais treinam filhos medianos – minando sua auto-estima – e esperam que os professores os tornem profissionais de sucesso conforme o preço da mensalidade da escola na qual depositam sua cria. E eu não estou contando aqui os pais que não tem a opção de colocar os filhos em uma escola particular e se sujeitam ao sistema público de ensino dilapidado pela corrupção dos políticos que todos nós colocamos no poder. Esses últimos estão ainda abaixo dos ‘medianos’.

Uma vez, um amigo reclamou comigo, preocupadíssimo,  que seu filho adolescente estava se interessando mais por cavalos, bois, galinhas e afins do que pelas disciplinas da escola.

Ele me disse:

– “Eu falei pra ele que se ele quiser ser alguém na vida ele precisaria se esforçar mais do que vêm fazendo, mas não sei se ele entendeu o que eu disse.”

Respondi com uma batelada de perguntas (coisa que não se faz!) :

“Você crê mesmo que o sucesso está nos livros? O que ele ganha se ele se formar como você?”

Antes que ele pudesse pensar numa resposta, emendei:

“Uma mesa, um computador e uma batelada de problemas que não são culpa dele mas que ele terá que resolver, como você faz todos os dias depois de 2h de deslocamento da sua casa até o seu escritório.” 

Estranhamente, ficamos quietos por cerca de 2 horas no ônibus depois dessa minha indelicadeza refletindo sobre o significado da palavra SUCESSO…


Working Class Hero

John Lennon

As soon as you’re born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you’re clever and they despise a fool
Till you’re so fucking crazy you can’t follow their rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they’ve tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can’t really function you’re so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you’re so clever and classless and free
But you’re still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There’s room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me

Todo mundo está feliz aqui na terra?!?

Hoje podia ser domingo, segundo de janeiro… pra mim vai dar no mesmo lugar […] Eu não tenho nada a ver com isso! (Todo mundo está feliz – Sérgio Sampaio/Raul Seixas)


Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego, sou dito um cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês…[…] eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida mas eu acho isso uma grande piada um tanto perigosa […] mas confesso, abestalhado, que eu estou decepcionado…(Ouro de tolo – Raul Seixas)


O prato mais caro, do melhor banquete é o que se come cabeça de gente que pensa e os canibais de cabeça descobrem aquele que pensa,  porque quem pensa, pensa melhor parado! [..]  (Metrô linha 743 – Raul Seixas)


“Moro aqui nessa cidade, que é de São Sebastião… Tem maracanã domingo, Pagamento à prestação. Sol e mar em Ipanema. Sei que você vai gostar. Mas não era o que eu queria. O que eu queria mesmo era me mandar! […] São Sebastião do Rio, Tudo aqui é genial! Na televisão à noite, tem cultura e carnaval. Tem garota propaganda num biquini que é demais. Mas não era o que eu queria! O que eu queria mesmo éra estar em Paz (Eta vida – Raul Seixas e Sérgio Sampaio)


[…] veja quantos livros na estante, Don Quixote – Cavaleiro Andante – luta a vida inteira contra o Rei.[…] Joque as cartas, vê a minha sorte, tanto faz a vida como a morte, o pior de tudo eu já passei. (As minas do rei salomão – Raul Seixas)


Apesar disso..

[…] Levante sua mão sedenta e recomece a andar! Não pense que a cabeça aguenta se você parar […] Você será capaz de sacudir o mundo. Tente outra vez […] (Tente outra vez – Raul Seixas)

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[…] O que eu quero, eu vou conseguir! Pois quando eu quero, todos querem e todo mundo pede mais, e pede bis […] (Rockixe, Raul Seixas)


[…] Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem de escrever o seu! (Loteria da Babilônia – Raul Seixas)


[…] Não páre na pista! É muito cedo pra você se acostumar! Amor, não desista! Se você pára  o carro pode te pegar! […] (Não páre na pista – Raul Seixas)


E assim, só resta uma coisa a fazer:

“Eu vou botar pra ferver no carnaval que passou! (Eu vou botar pra ferver – Raul Seixas e Sérgio Sampaio, 1971)

You’ll set this world on fire, like Nero did to Rome! […] Who knows Who’ll be the next to go down in history?(How could I know – Raul Seixas)

Eu não tô com nada mesmo, eu tô de touca e tanga, eu tô na santa paz[…] Eu tô muito tranquilo, eu tô dizendo adeus! (Eu acho graça – Sergio Sampaio/Raul Seixas)

my 2 cents.

Thanks Raulzito! God Bless you!

O “EU” e a estrada dos tijolos dourados

Introdução

Vivemos em dias difíceis onde o tempo e a fome voraz por produção consome nosso tempo e, resignados, aceitamos a escravidão do TER em detrimento do SER.

Com base na coragem, razão e emoção deve ser possível mudar, ainda que em parte a visão de homem atual em busca da felicidade.

O cenário atual

O sistema capitalista nos moldes do neoliberalismo impulsiona o ser humano a ter uma postura altamente competitiva e egocêntrica calcada no verbo ter.

Devemos ter, consumir, produzir e aceitar resignados todas as imposições da máquina produtiva.

Somos convencidos por todos os meios de comunicação existentes de que somente seremos felizes quando atingirmos os mais altos salários após os cumprimentos de metas de produtividade que aumentam num ritmo além das capacidades fisiológicas, mentais, sociais e espirituais.

Devemos ser bons cordeiros em cercados, cubículos produtivos, focados em nossas métricas de produção.

Ganhamos algum dinheiro mas há sempre a sensação de que falta produzir mais um pouco.

Nossa carga horária de trabalho ultrapassa os limites do cansaço e as 24 horas de um dia parecem ser insuficientes para atingirmos todos os objetivos que aceitamos sem os devidos questionamentos.

Ficamos apavorados com a possibilidade de sermos substituídos por outros humanóides mais jovens e melhor preparados para o dragão do mercado de trabalho.

Nos dias atuais, não basta “matar um leão por dia” para sermos considerados aptos a permanecer em nossas colocações laborais e deixamos nossas esposas, maridos filhos e parentes em planos secundários de importância para satisfazermos o apetite voraz da máquina produtiva.

Em contrapartida, nossos governantes gerenciam a miséria oferecendo assistência social aos desfavorecidos para que se tornem também membros consumidores dessa cadeia alimentar da produção desenfreada. Esses usurpam o dinheiro público em favorecimentos pessoais. Usam os recursos destinados ao investimento na ‘evolução e bem estar’ da sociedade em destinos particulares com foco na própria evolução monetária e bem estar pessoal. Aceitamos essas coisas com a mesma indignação que usamos para calçar nossos sapados ao levantarmos pela manhã.

Podemos ser interrompidos em nossos horários de lazer com algum assunto urgente de trabalho.

Comemos em restaurantes “fast-foods” para não perdermos um único minuto de nosso tempo produtivo e, mesmo durante as refeições rápidas, somos interrompidos com o toque urgente do celular corporativo nos chamando a algo que não pode esperar uns míseros 15 minutos para ser resolvido.

Projetamos nossa felicidade em itens palpáveis que podemos comprar numa liquidação qualquer e acreditamos piamente que seremos felizes apenas quando tivermos aquela casa, aquele carro do ano, aquele telefone celular de última geração, aquele computador recém-lançado no mercado e que estará completamente obsoleto em menos de 3 meses.

Pedro Goergen [1] diz que “O primeiro e mais palpável reflexo da falta de perspectiva histórica se constata no enfraquecimento do sujeito.” e este parece ser um bom resumo da característica comportamental do homem dito “produtivo” nos moldes do sistema atual. Permitimos que nossa individualidade fosse consumida ou anulada para que o bem do sistema prevaleça e trocamos, num modelo próximo ao escambo, nossos anseios de satisfação por bens de consumo que nos satisfaça a frustração de deixar de lado nossos anseios de felicidade.

Segundo Manuel José Lopes Silva [2], “Desde Aristóteles que as máquinas foram

tradicionalmente consideradas como extensões artificiais das capacidades naturais do ser humano, como projecções dos nossos órgãos corporais.

Hoje em dia, com a introdução dos computadores, surgiu a tendência para descrever as acções humanas ou os processos naturais em termos algorítmicos para poderem ser simulados

informaticamente”. Assim, todas as “coisas produtivas” têm sido sistematicamente convertidas em processos produtivos e otimizados.

O desafio

Há de se considerar por base a eterna busca da “pedra filosofal” na qual o homem dissimula a busca pelo autoconhecimento. Este objetivo, em contraste com o cenário apático em que o homem se resigna à cadeia produtiva faz com que o homem sinta-se infeliz e perdido pois sua percepção de humanidade raspa às beiras da transformação em mero objeto autômato, seguidor de ordens e doutrinas.

Fazemos hoje o caminho inverso da “estrada dos tijolos dourados” descrito no livro de Lyman Frank Baum [3], “O mágico de OZ”. Passamos pela vida fazendo o papel inverso dos personagens descritos nesse livro. Ao inverso do Leão, deixamos nossa coragem ceder lugar ao medo da não aceitação. Ao inverso do Espantalho, entorpecemos nosso cérebro e realizamos cada vez mais tarefas meramente operacionais a fim de que o bem maior, o cumprimento das metas, seja alcançado. No pior dos moldes, ignorando os ensinamentos do Homem de lata, deixamos morrer nosso coração, nossa alma e tornamo-nos cada vez mais tecnicos. Desta forma, nossa Dorothy jamais poderá retornar ao “lar” do seu eu-interior.

A pergunta que este documento pretende fazer é: Haverá meios de o homem conseguir encontrar-se vivendo neste ambiente viciado?

O caminho dos tijolos dourados

Ao mesmo passo da personagem Dorothy, estamos perdidos num mundo totalmente desconhecido repleto de informações e conceitos totalmente novos e com um tempo muito escasso para conseguir “retornar ao lar”.

Iniciamos a caminhada com uma dica precisosa : “Siga a estrada dos tijolos dourados” e a iniciamos, sozinhos em busca do “auto-conhecimento”.

Ao longo do caminho nos deparamos com profundas dificuldades interiores cujos arquetipos são ilustrados nas figuras do leão medroso, no espantalho e no homem de lata.

Não há opção para seguirmos adiante ignorando os aspectos, cada um ao seu tempo, da coragem, da razão e da alma.

Por fim, o sistema pode tentar nos impedir mas, quando nos percebemos fortes e capazes racional e emocionalmente, encontramos finalmente o “sentido da vida”.

Há de se lembrar, porém, que não podemos fazer tal caminho sem a ajuda dos outros. É com as diferenças que aprendemos e refinamos a visão de homem que desejamos formar.[1]

Considerações finais

Diante de um cenário de apatia e egocentrismo, cabe a cada um tentar trilhar a sua “estrada dos tijolos dourados” em busca do seu conhecimento.

O caminho é longo e o tempo é curto mas com coragem, razão e emoção ao fim da jornada poder-se-á dizer “não há melhor lugar que o lar”.


[1] talvez por isso Lyman tenha personificado os aspectos a serem trabalhados em personagens diferentes.


Referências

[1] Goergen, P., EM FOCO: A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO ENFRENTANDO A PROBLEMÁTICA EDUCACIONAL CONTEMPORÂNEA, http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022006000300011&script=sci_arttext&tlng=pt, aceso em 12/11/2007.

[2] Lopes Silva, M.J, As ciências do homem e da natureza de hoje, http://www.bocc.ubi.pt/pag/silva-lopes-ciencias-homem-natureza.pdf, acesso em 12/11/2007

[3] vários, O MARAVILHOSO MÁGICO DE OZ, http://pt.wikipedia.org/wiki/O_M%C3%A1gico_de_Oz, acesso em 12/11/2007.

A comovente história da Sra Thompson e Teddy

Continuação do post anterior

História da Sra. Thompson e Teddy

Relata Sra. Thompson, que no seu primeiro dia de aula, parou em frente aos seus alunos da Quinta série primária e, como todos osdemais professores, lhes disse que gostava de todos por igual.

No entanto, ela sabia que isso era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um garoto chamado Teddy. A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheirando mal. Houve até momentos em que ela sentia prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.

Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano. A Sra. Thompson deixou a ficha de Teddy por último. Mas quando a leu foi grande sua surpresa.

A professora do primeiro ano escolar de Teddy havia anotado o seguinte: Teddy é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos.Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.

A professora do segundo ano escreveu: Teddy é um aluno excelente e muito querido pelos seus colegas, mas tem estado preocupado com a mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar muitodifícil.

Da professora do terceiro ano constava a anotação seguinte: a morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Teddy. Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo. A professora do quarto ano escreveu: Teddy anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula.

A Sra. Thompson se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada.Sentiu – se ainda pior quando lembrou dos presentes que os alunos lhe haviam dado, envoltos em papéis coloridos, exceto o de Teddy, que estava enrolado num papel marrom de supermercado.

Lembra – se de que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas, ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco do perfume sobre a mão. Naquela ocasião Teddy ficou um pouco mais tempo na escola do que o de costume.

Lembrou – se ainda, que Teddy lhe disse que ela estava cheirosa como a mãe. Naquele dia, depois que todos se foram, a professora Thompson chorou por longo tempo…. Em seguida, decidiu- se a mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy.

Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava, e quando mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava. Ao finalizar o ano letivo, Teddy saiu como o melhor da classe. Um ano mais tarde a Sra. Thompson recebeu uma notícia em que Teddy lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida.

Seis anos depois, recebeu outra carta de Teddy, contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera. As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Theodore Stoddard, s eu antigo aluno, mais conhecido como Teddy.

Mas a história não terminou aqui. A Sra. Thompson recebeu outra carta, em que Teddy a convidava para seu casamento e noticiava a morte de seu pai. Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Teddy anos antes.

Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Teddy lhe disse ao ouvido: obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer diferença.

Mas ela, com os olhos banhados em pranto sussurrou baixinho: você está enganado ! Foi você que me ensinou que eu podia fazer diferença, afinal eu não sabia ensinar até que o conheci.

Desconhecido, disponível em http://www.psicologiapravoce.com.br/metafora.asp?nr=721

Solução

O texto trata da “diferença que podemos fazer na vida das pessoas”. A Sra. Thompson fez a diferença na vida do Teddy assim como esse na vida dela. Houve uma troca simbiótica assim como tantas trocas são feitas em nossas interações com outros na rua, no trabalho, na escola, enfim, no convívio.

Como educadores, e digo educadores no sentido mais amplo que for possível, não somente nas “salas de aula”, mas durante os minutos da vida, devemos ter a sensibilidade de FAZER DIFERENÇA na vida dos que nos rodeiam.

Fazer diferença implica em “olhar” o outro, compreendê-lo em sua forma, força e fraqueza para colaborar com seu desenvolvimento integral.

Passeamos a cada segundo alternando-nos em papéis de educador e educando. Não temos a clareza completa de quando estamos ensinando e quando estamos aprendendo. O que temos são “percepções”. E é justamente nesse conjunto de percepções que podemos fazer a diferença na vida dos que nos cercam.

Ao conhecer a realidade do sujeito como propõe Paulo Freire, creio não ser suficiente entender seus contextos de pensamentos e realidade nos aspectos sociais, econômicos e políticos. Temos que misturar nossas almas às daqueles que pretendemos “educar”. É nessa relação de TROCA que se dará a verdadeira essência da educação. Onde AMBOS aprendem e ensinam. E crescem como pessoas que são. Destinadas à evolução.

O ser humano tem o dom de crescer. É chamado a cumprir essa trilha, esse projeto de crescimento da alma; da mente; do coração.

Somos agentes do APRENDER, seja pela visão do colega Vygotsky de que somos intermediadores do processo de aprendizagem ou ainda se estivermos no meio dos desequilíbrios e re-equilíbrios como sugere Piaget. Estamos inseridos nesse “brodo” ora como educandos ora como educadores. Se não participarmos dessa “liga”, o bolo não cresce ou, no mínimo, não fica saboroso.

Em minha modesta visão, não importa o quanto se pareça conhecer desse ou daquele teórico, “discursar bonito” à procura de exaltar sua própria soberba, citar (as vezes de forma completamente equivocada) pensadores do nosso tempo ou te tempos anteriores para se fazer ‘eloqüente’ e respeitável em sua admirável posição de Educador com “E” maiúsculo. É FUNDAMENTAL que saibamos nos reconhecer no papel momentâneo que melhor nos cabe, ou de educador ou de educando. É fundamental que o profissional da educação tenha a decência da humildade em se por em simbiose com seus educandos e aprenda deles tanto ou mais do que eles aprendem do “mestre”.

My 2 cents.

it’s only words…

Este post é baseado no artigo "História da Sra Thompson e Teddy" disponível em http://www.psicologiapravoce.com.br/metafora.asp?nr=721

Muitas vezes devemos tomar cuidado com o que pensamos…

noutras… devemos tomar cuidado com o que sentimos…

e na maior parte do tempo… tomar cuidado com o que falamos.

Que tipo de diferença estamos fazendo na vida das pessoas que nos cercam?

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