A guerra interna dos 100 dias…

Há 118 dias, eu oficialmente modifiquei toda a minha perspectiva profissional.
Grande Merda coisa! Você pode estar pensando agora!
Eu, que sempre me orgulhei da meritocracia do mercado, cheguei à triste conclusão que, no mercado de trabalho civil, a meritocracia simplesmente não funciona do jeito que a gente deseja.
Normalmente não importa lá se você é o melhor ou mesmo qual o tamanho do esforço empregado para se tornar melhor, mais capacitado, ou ainda, o
melhor avaliado. EVERYTHING IS A SUCH HUGE BULLSHIT!
O que importa mesmo é o resultado. (Entenda-se por resultado: Grana, dindin, cascalho, QSJ, ou qualquer outro jargão que signifique LUCRATIVIDADE – para o PATRÃO, é claro!)
Eu deixei o mundo civil para servir ao meu país como militar.
Me submeti a um modelo que eu refutei durante muito tempo, apesar de meu pai ter me indicado tal caminho por diversas vezes na minha juventude. E descobri que nasci praquilo!
Lutei de forma inglória contra o meu destino até que me rendi aos desígnios que o Grande Arquiteto do Universo havia preparado para mim.
Deixei a minha zona de conforto… assim como deve ser!

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Working class hero?

Há tempos eu não tenho tido tempo suficiente para aplicar a minha verborréia nesse blog. Muitas coisas têm acontecido nesse início (quase meio) de 2011.

Apesar de estar viajando mais do que antes a trabalho, tenho tido ótimos momentos muito bem vividos com o meu pequeno gurizinho.

Noutro dia ele me disse que quando crescer ele vai querer ser ENTREGADOR DE JORNAL E REVISTAS…

Ainda estou aprendendo a ser pai… eu simplesmente respondi a ele: “Filho, você pode ser o que quiser quando crescer, desde que seja feliz.” e ele ficou lá … me olhando com aquela cara de “Ué?!” e, com um sorrisinho maroto nos lábios, logo voltou a brincar.

Julio (Small)

Enquanto esperava meu motorista coletivo (o famigerado Busão) essa lembrança me veio à mente junto com a letra de uma músicas das mais intrigantes – na minha visão – do meu querido Jão Lennon: Working Class Hero.

Enquanto tomava o café e observava as atendentes do quiosque da rodoviária, pensei no meu guri que acha o máximo ser “entregador de jornais”, na greve dos lixeiros de Americana que vi hoje no telejornal na hora do almoço na padoca do Dedé, na cara do seu Zé – motorista do ônibus que vez ou outra tira um cochilo ao volante quando dobra de turno –, nos caras que recolhem o lixo do escritório na hora do almoço na sede de São Paulo, no manobrista do estacionamento, no sujeito que recolhe as bandejas com pratos sujos nas praças de alimentação e nas diversas pessoas ‘invisíveis’ nas quais esbarramos todos os dias sem sequer falar um mísero “bom dia”…O que será que se passa na cabeça desse moleque em querer ser “entregador de jornal” quando crescer? Como é que será a ‘percepção’ que ele tem quando vê o ‘entregador de jornal’? Que tipo de sinapses são formadas na cacholinha dessa criatura naquele momento? Putz! O que é que significa sucesso?

Eu me recordo de querer cursar a faculdade de música quando estava prestando o vestibular… e me lembro de ter ouvido também que ‘ninguém em casa ia sustentar um vagabundo  estudante num curso de música’. Faça algo como  “engenharia, direito, medicina, enfim… um curso NORMAL” para ser um profissional de SUCESSO. Putz… enfim: A ordem era ser “MAIS DO MESMO”!

E assim foi com a média dos  meus amigos…

E ainda é assim com a média dos indivíduos massificados e que devem ser colocados no molde social do “aceitável’” e do “sucesso”.

Sucesso, para a maior parte dos ‘pais’ é o filho estar numa direção de uma multinacional, ser um médico renomado, um advogado brilhante… ter um carrão de não sei quantos mil dólares, ter iPhones, iPads, iPhodes, Se casar com uma moça magra, ter … ter isso, ter aquilo… enfim…

Nenhum sucesso social é medido pelo IFI – Índice de Felicidade do Indivíduo.

Muitos pais treinam filhos medianos – minando sua auto-estima – e esperam que os professores os tornem profissionais de sucesso conforme o preço da mensalidade da escola na qual depositam sua cria. E eu não estou contando aqui os pais que não tem a opção de colocar os filhos em uma escola particular e se sujeitam ao sistema público de ensino dilapidado pela corrupção dos políticos que todos nós colocamos no poder. Esses últimos estão ainda abaixo dos ‘medianos’.

Uma vez, um amigo reclamou comigo, preocupadíssimo,  que seu filho adolescente estava se interessando mais por cavalos, bois, galinhas e afins do que pelas disciplinas da escola.

Ele me disse:

– “Eu falei pra ele que se ele quiser ser alguém na vida ele precisaria se esforçar mais do que vêm fazendo, mas não sei se ele entendeu o que eu disse.”

Respondi com uma batelada de perguntas (coisa que não se faz!) :

“Você crê mesmo que o sucesso está nos livros? O que ele ganha se ele se formar como você?”

Antes que ele pudesse pensar numa resposta, emendei:

“Uma mesa, um computador e uma batelada de problemas que não são culpa dele mas que ele terá que resolver, como você faz todos os dias depois de 2h de deslocamento da sua casa até o seu escritório.” 

Estranhamente, ficamos quietos por cerca de 2 horas no ônibus depois dessa minha indelicadeza refletindo sobre o significado da palavra SUCESSO…


Working Class Hero

John Lennon

As soon as you’re born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you’re clever and they despise a fool
Till you’re so fucking crazy you can’t follow their rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they’ve tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can’t really function you’re so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you’re so clever and classless and free
But you’re still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There’s room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me

O impacto de uma formatura…

Este post, diferente dos demais, é um desabafo despretensioso além de uma forma de compartilhar com vocês, nobres leitores,  o que acontece com uma pessoa quando ela participa de uma formatura (especialmente, a sua própria formatura!)

Antes, porém, deixe-me explicar o contexto:

Eu iniciei minha jornada acadêmica em 1994, ao ingressar no curso de Engenharia Elétrica na Escola Federal de Engenharia de Itajubá. Não que eu soubesse o que queria fazer da minha vida profissional… Meu objetivo era claro: Passar em uma federal para parar de pagar o cursinho – sendo que parte era pago com o meu suor e trabalho.

Ok, tentei permanecer num curso do qual eu não gostava, enfrentei as greves de professores e funcionários, engajei-me nos movimentos religiosos locais, nos movimentos estudantis… enfim. Aprendi muito durante uns 5 ou 6 anos da engenharia – mesmo não tendo evoluído tanto a vida acadêmica nesse curso. Aprendi especialmente como acender uma churrasqueira… e a engenharia ficava sistematicamente para trás.

Num dado momento, achei que seria melhor mudar de curso… a universidade tinha acabado de abrir 9 novos cursos, dentre eles, o de Ciência da Computação… Enfrentei um novo vestibular e passei (de novo, na mesma universidade federal).

Aí eu gostava do curso – em tese não havia desculpas para não concluí-lo! Eu só não contava com o desgaste da minha relação com aquele espaço, professores, etc. Um novo engajamento no movimento estudantil me tirou novamente da sala de aula. Aprendi naqueles dois anos tudo o que se pode aprender sobre empreender, administração de uma empresa, custo, trabalho em equipe e, principalmente, que você pode conseguir bastante experiência apenas por conhecer as pessoas.

O desgaste só aumentou – e parte disso, por uma incrível, incomensurável falta de maturidade da minha parte adicionada a um princípio de alcoolismo no qual eu imbecilmente engatei.

O ápice da minha frustração velada foi estar à mesa da formatura da minha turma de engenharia como presidente do diretório acadêmico. Estava eu lá, cumprimentando um a um, felicitando-os pela capacidade que eles tiveram de estar ali com seus graus de engenheiros colados e eu lá, feito um otário vendo o sucesso deles passar bem abaixo do meu nariz.

Naqueles dias eu chorei feito um menino de colo com cólicas homéricas ao lado de várias garrafas de conhaque.

Então decidi dar um basta naquele sofrimento! Chutei o balde! Enfiei o pé na jaca como nunca havia imaginado que seria possível fazê-lo! Eu simplesmente defequei violentamente na minha vida e fui-me embora pra sumpaulo

Tava ruim lá na bahia,

profissão de bóia fria,

trabaiando noite e dia,

num era isso que eu quiria…

e eu vim me imbora pra sumpaulo!

Vim no lombo de um jumento,

enfrentando chuva e vento e

dando uns peidos fedorentos..

que até minha bunda fez um caaaaaaaaaaalo!!

(Mamonas Assassinas)

seduzido pelas promessas de trabalho e por todas as potencialidades da minha ‘brilhante’ capacidade de superar todos os obstáculos como “SUPERHOMEM” que eu julgava ser.

Afinal, Quem precisa de uma mer$$ de diploma?

…bradava o imbecil prepotente que hoje vos escreve.

Eu só não imaginava que meu inferno velado tinha aberto suas portas e me saudava com diversas homenagens ao idiota que nele adentrava com o tapete vermelho estendido. “Viva o imbecil! Vida longa ao idiota!”

Durante minha estada profissional, tive muita sorte de encontrar, graças a um Deus que eu renegava, e um pouco do meu alto grau de “Sivirômetro”, boas oportunidades profissionais.

Durante essa época, tentei retomar os estudos em uma faculdade local. Mas minha arrogância não me permitiu ter a paciência de um aluno. Eu queria pular as etapas e tornar-me mestre!

Com a previsão da chegada do meu guri, minha namorada que se tornou esposa de fato, já diplomada em Ciências Jurídicas e em Pedagogia me disse: “Mauro, você TEM de ter um diploma.” Você VAI voltar à faculdade (coisa que só uma esposa é capaz de fazer! Mandar o marido fazer alguma coisa.Smile e o marido que é sábio, obedece!

O fato é que ingressei no curso de Licenciatura em Computação, EAD, no Centro Universitário Claretiano.

Foram 3+1 anos de pura pauleira – a quem acha que um curso à distância é moleza, digo-lhes que um “curso presencial é moleza!”

EAD é só para os MELHORES!

A vida é muito dura pra quem é mole (meu pai dizia isso!)

Após algumas lutas para entregar todas as pendências, relatórios, atestados e declarações consegui ser inserido na cerimônia de colação de grau.

Eu não estava preparado para isso. Eu nem sabia como me comportar sendo um formando. Não sabia o que eu estava fazendo ali. Eu só tinha perguntas em mente: Putz, não tá faltando nada mesmo? Não falta entregar mais nenhum relatório, nenhuma ‘pendência acadêmica’? O que eu faço agora com este canudo? [ por favor, não responda! ]  Acabou mesmo? eEta etapa está completa?

E agora? No que esta coisa me torna melhor?

Eu acho que consegui chegar a uma resposta satisfatória!

Perdemos tanto tempo cumprindo tarefas secundárias, sem valor, sem agregação prática, sem alegria, sem desafios efetivos, sem nenhum retorno para satisfazer o ego dos outros – família, trabalho e demais agregados – que não paramos para ‘celebrar’ as conquistas.

O diploma é só um marco, uma CELEBRAÇÃO da conquista árdua e sofrida diante da vida que, por nossas próprias escolhas, pode parecer mais dura do que é de verdade.

O que importa no diploma é o resultado que ele sintetiza depois de tanto esforço.

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e a quem acha que diploma não vale nada, minha única recomendação é:

Vá estudar e se, ao final, sua opinião sobre a importância  se manter, a única conclusão que se pode chegar é de que você não se esforçou o suficiente.”

Além da fronteira do Core Business

O livro, em sua essência, trata dos impactos das necessidades de crescimento enfrentado pelas empresas frente as demandas de necessidades provocadas pelo aumento dos níveis de exigência dos clientes, pelo desenvolvimento tecnológico – que provoca boa parte dessas exigências e de como as empresas precisam visualizar o que é denominado “core business” e sua adaptabilidade às mudanças provocadas pelo mercado, ou por seus mercados, como prefere dizer o autor.

O livro é o resultado de um trabalho de pesquisa realizado através de entrevistas com executivos de empresas com os melhores históricos de crescimento e a comparação dos programas de crescimento aplicados nessas empresas com a seus respectivos indicadores de lucratividade.

A vertente comum identificada pelo autor nessa pesquisa é de que as melhores empresas em termos de crescimento lucrativo muitas vezes enfrentaram essas mudanças a partir das ‘adjacências’ de negócios que orbitavam o ‘negócio principal’ dessas empresas e que o planejamento estratégico para atingir também esses nichos de negócios foi o fator fundamental para que essas se aventurassem em novos mercados de forma responsável e sustentável.

O livro é dividido em seis capítulos que delineiam as respostas para seis perguntas principais, a saber:

  • O que são as adjacências [de negócios] e como o seu aproveitamento pode ser bem sucedida?
  • Qual a melhor forma de decidir se uma adjacência é candidata à atuação?
  • Quais são as características e fontes das estratégias de ‘adjacências’ sustentáveis?
  • Quando é que as adjacências fazem mais sentido e quando é o último recurso de sobrevivência de uma empresa?
  • Que meios organizacionais são mais importantes para o sucesso das novas iniciativas – e quais fatores as inibem?
  • Quantas vezes essas estratégias transformam a atividade principal da empresa ao longo do tempo? [migração de ‘core business].

No decorrer de cada capítulo, o autor descreve os cenários e impactos das aventuras dessas adjacências de negócios e como as empresas entrevistadas efetivaram suas aventuras nessas expansões, quais foram os resultados positivos e consequências negativas.

Ao final, o autor apresenta os indícios de que uma ‘expansão adjacente’ é um método que permite alcançar o crescimento e, com isso, acompanhar o mercado. O autor ainda expõe que, não importa a linha de negócios que se queira seguir, o planejamento estratégico e que os ‘movimentos adjacentes de expansão’ devem ser realizados de forma suave para que tenham maior probabilidade de sucesso.

Nesse sentido, o autor ainda afirma que “Não existe formula mágica” e que cada transformação ou expansão deve ser analisada frente aos seus fatores de riscos e fatores de ganhos e que essas métricas ou informações têm de ser precisas para que apontem com nitidez para a melhor tomada de decisão.

O principal fator de sucesso exposto no livro é de que quem conduz o processo deve ter ‘foco’ e obedecer a linha estratégica determinada para a realização desses movimentos. Todos os casos de ‘fracasso’ tem em comum entre si a dispersão de objetivos, táticas, estratégias e capital.

Da mesma maneira, as estratégias duradouras e lucrativas são frutos de percepções profundas (e focadas) e não amplas (mas superficiais). É mister entender efetivamente o objetivo e todo o conhecimento relevante para esses movimentos de forma efetiva para que os prognósticos de sucesso sejam alcançados. Nesse sentido, as curvas de aprendizado provocadas por esses movimentos envolvem processos eficazes de aprendizagem dos assuntos específicos envolvidos nessas adjacências.

Em termos de aplicabilidade dos conceitos demonstrados pelo livro para o âmbito educacional – em especial para a prática docente – a reflexão principal suscitada por esta leitura é de que o profissional de educação tem de estar preparado para ‘movimentar-se’ dinamicamente ao identificar suas ‘adjacências’ de oportunidades. As demandas do cliente final – o aluno – devem levar o professor a uma constante avaliação de que o negócio ‘principal’ de ensinar pode provocar negócios adjacentes e constantes atualizações de postura, de identificação de oportunidades de melhoria do crescimento dos resultados conduzidos por ele no que tange a aprendizagem, na aplicação de novos conhecimentos e técnicas para ampliar a lucratividade de seu trabalho, onde podemos entender tal ‘lucratividade’ como o aumento significativo dos resultados apresentados por (e para) seus ‘clientes-alunos’ na consolidação e formação tanto de conhecimento quanto nos aspectos de civilidade e dignidade.

A Meta

No livro “A Meta”, o autor utiliza-se do recurso da narrativa no estilo literário da novela para introduzir e aprofundar os conceitos de administração de produção denominada “Creative Output”.

O contexto da novela é o de uma fábrica pertencente ao grupo UniCo, situada na cidade de Bearington e gerenciada por um homem chamado Alex Rogo. Alex é um funcionário da UniCo natural de Bearington e foi designado para esta função a fim de melhorar o desempenho dessa unidade.

A história se inicia com uma crise por causa de um pedido importante atrasado. Na ocasião Alex está no comando da fábrica há seis meses. Tal crise, vista pela diretoria da UniCo como um sintoma da ineficiência da unidade, faz com que o diretor da divisão anuncie a Alex que ele teria apenas 3 meses para apresentar resultados significativos de produtividade ou senão a fábrica seria sumariamente fechada e ele perderia o emprego.

Além dessa situação, Alex enfrenta problemas de ordem familiar. Sua esposa sente-se descontente por ter se mudado para Bearington onde não têm vínculos afetivos aliado à pouca atenção dada por ele por conta das rotinas de seu cargo.

No decorrer da história, Alex lembra-se de um antigo professor que lhe auxilia com base em três regras básicas para que a principal meta da empresa – “ganhar dinheiro” – possa ser atingida em tão curto espaço de tempo.

As regras, resumidas em três conceitos chaves, são: “Ganho é o índice pelo qual o sistema gera dinheiro através das vendas”, “O inventário é todo o dinheiro que o sistema investiu na compra de coisas que ele pretende vender” e, por fim, “A Despesa operacional é todo o dinheiro que o sistema gasta a fim de transformar o inventário em ganho”.

No decorrer da história, Alex conta com o auxilio desse professor e alguns de seus assessores a fim de identificar os erros da fábrica em relação ao cumprimento da meta principal da empresa e, inevitavelmente, entram num processo de aprendizagem no melhor modo construtivista a fim de aplicar tais conceitos em resultados práticos para salvar a fábrica e consequentemente seus empregos.

Alex e seus companheiros descobrem através da vivência prática aliada com a obtenção dos conhecimentos científicos – oportunamente pontuados por esse professor no decorrer da história – que a aplicabilidade dos resultados das pesquisas acadêmicas e científicas é factível e, se bem absorvidas ou aprendidas, podem reverter em resultados objetivos bem positivos.

O autor tem uma destreza muito grande em apresentar, no meio dessa novela, os conceitos embutidos em sua teoria, suas implicações e, de forma especial, sua aplicabilidade prática num contexto onde, somente por mediação, se pode aproveitar o processo de aprendizagem real.

Por fim, o principal conceito apresentado no decorrer da história é que os melhoramentos implicam em mudanças e mudanças podem gerar resistência – através do medo – e ainda, que mesmo que os melhoramentos impliquem em resultados positivos, os impactos da evolução tecnológica e de conhecimento se não houver um processo de aprendizagem contínuo podem reverter em situações potencialmente desastrosas tanto para os ‘negócios’ quanto para a vida.

Em termos de prática docente, o livro permitiu a reflexão sobre alguns aspectos importantes tais como a necessidade da vigilância contínua no processo de aprendizagem; o conhecimento se bem empregado pode (e deve) ser revertido em aplicabilidade prática na vida dos envolvidos na aprendizagem; construir o conhecimento é a maneira mais eficiente de absorvê-lo – e nisso o professor tem um papel importantíssimo que é o de MEDIAR a aprendizagem e não ser apenas um mero transmissor de conteúdo; além disso, não existe processo de aprendizagem sem avaliações constantes (qualitativas e quantitativas) para que todos os ajustes necessários sejam aplicados no devido tempo.

O impacto do mau uso da linguagem no contexto empresarial

Certa vez uma propaganda de um refrigerante utilizou um artifício, no mínimo, inusitado em sua campanha com o slogan “Imagem não é nada, sede é tudo!” com certo ar prepotente do uso da língua e seus artifícios na pretensão de mostrar que o produto final, além da sua imagem era o essencial para ‘matar a sede’.

Ok, de certa forma, a imagem do produto foi devidamente fixada e você, nobre leitor, consegue mentalmente lembrar-se de qual refrigerante cito neste pequeno texto. Se você não se lembra de tais anúncios, provavelmente é novo demais para ter assistido tais anúncios com a devida atenção.

O domínio da linguagem foi o fator determinante para a fixação da marca para este anúncio. A ‘brincadeira’ do contraste da linguagem visual com a linguagem falada – devidamente escrita num belíssimo roteiro foi a ferramenta fundamental para o sucesso de tal campanha.

Uma empresa que sabe usar a língua corretamente em suas interações de comunicação com seu público pode aumentar significativamente o seu sucesso em vendas.

Clientes não querem sentir-se ‘enrolados’ ao solicitar qualquer serviço, reparo, produto ou informação.

Um “Vou estar encaminhando sua solicitação ao setor responsável para que eles possam estar avaliando e posteriormente estar respondendo a sua questão” provoca a pior das sensações em quem ‘vai estar aguardando quando o responsável estará respondendo’. (meu corretor ortográfico aqui está reclamando da frase ‘vou estar encaminhando’, e sugere a substituição por ‘vou encaminhar’ [sic]).

Recordo-me que há alguns anos, eu era o terror dos atendentes de telemarketing. Primeiro por que os tratava mal à beça. Segundo por que a cada ‘vou estar fazendo algo’ eu simplesmente gritava d’outro lado da linha com um sonoro “Se você quiser fechar esta venda, fale direito comigo! E não maltrate o português, posto que ele não tem nada a ver com o fato de você não ter completado o ensino fundamental!”. Depois de tantas ocorrências, caí do cavalo quando, ansioso por proferir a mesma sentença por mera diversão, liguei para certa companhia telefônica e solicitei um serviço e fui atendido por mais de trinta minutos sem nenhum gerundismo. (E isso consome ao menos doze reais mensais até os dias de hoje em débito automático da conta telefônica!).

Em tempos de internet, a linguagem escrita torna-se fundamental para a perpetuação de uma boa imagem de uma empresa. A internet nunca esquece. Tudo o que é dito (escrito) on-line há de se perpetuar enquanto houver espaços de memória digital alimentados.

Uma empresa que trata seus clientes com descaso ou enrolação, mesmo que por um quantum de tempo, será lembrada por mecanismos de buscas por tais deslizes, e com páginas ‘cache’. Este efeito é potencializado ainda nos tempos atuais de web social, democrática e sem censura. Qualquer boçal (e nesse rol, também estão os comunicadores vinculados à empresas) pode expressar opiniões perpétuas sobre negócios, produtos e a imagem institucional de qualquer marca.

Ser conciso, objetivo e prático na solução de problemas é fundamental para a perpetuação de fidelidade da clientela e fomento de novos negócios em relacionamentos duradouros. E o primeiro despertar de confiança de um cliente em uma empresa é dado pela forma expressa da língua com este cliente. Seja esta expressão um script de telemarketing, um texto de um website, anúncio ou ainda nas palavras proferidas em seus funcionários durante as diversas oportunidades de interação.

No fim, o mau uso da linguagem (seja por gerundismos ou erros gramaticais diversos) pode tornar uma nova venda cada vez mais cara e trabalhosa. E uma empresa que não vende ou vai à bancarrota, ou é vencida.