Redes sociais são espaços democráticos e eficazes no campo da comunicação contemporânea?

No post anterior eu comecei a prestar mais atenção nessa questão de Redes Socias e seus impactos…

A palavra “democracia” e seu significado (Δημοκρατία – demo – povo; kratos poder, isto é,  poder do povo) não me parece adequado para o emprego relativo às redes sociais (twitter, Orkut, facebook). Só faz sentido, ao meu ver, aplicar este termo em sociedades efetivamente organizadas .

A principal prerrogativa da sociedade da informação, especialmente ao se tratar de Internet, é que não existe ‘poder organizado’. Existem sim os NICHOS que se formam e se desfazem em cada ‘post’, threads de discussão ou mesmo as relações de ‘follow/unfollow’. E nesse sentido, não há aplicação efetiva do termo democracia no seu conceito clássico.

Agora, se aplicarmos o significado implícito e confuso que nossa sociedade atribui ao termo “Democracia” – pela mera oportunidade de eu, como cidadão, ter o ‘direito’ de expressão – sim… Rede social é um espaço democrático [sic].

Eu prefiro o termo “AnarquiaSmile (no melhor sentido da palavra). Todos têm poderes em redes sociais, mas não há GOVERNO nesses espaços.

A meu ver, a eficácia comunicacional desses ambientes só é justificada pela característica anárquica inerente desses sistemas de informação invisível – aos desavisados – sob a fantástica capacidade de abstração (e exposição) das relações criadas pelas pessoas.

Basicamente, as redes sociais oficializaram o ‘boca-a-boca’. O que antes era propaganda intrínseca, hoje é documentado em posts, twitts e retweets, ‘eu gostei’ (que também pode ser desfeito). E isso é perpetuado pela ‘infinita’ memória da internet…

“E assim, daqui a alguns anos, ainda será possível encontrar uma declaração de ‘amor eterno’ feita no passado à sua, então, candidata a namorada e que hoje é sua atual “ex-esposa” com quem você trava uma infindável batalha judicial pela guarda das crianças…” 

Quer coisa mais sem graça do que isso?

Portanto, use com moderação!

O impacto do mau uso da linguagem no contexto empresarial

Certa vez uma propaganda de um refrigerante utilizou um artifício, no mínimo, inusitado em sua campanha com o slogan “Imagem não é nada, sede é tudo!” com certo ar prepotente do uso da língua e seus artifícios na pretensão de mostrar que o produto final, além da sua imagem era o essencial para ‘matar a sede’.

Ok, de certa forma, a imagem do produto foi devidamente fixada e você, nobre leitor, consegue mentalmente lembrar-se de qual refrigerante cito neste pequeno texto. Se você não se lembra de tais anúncios, provavelmente é novo demais para ter assistido tais anúncios com a devida atenção.

O domínio da linguagem foi o fator determinante para a fixação da marca para este anúncio. A ‘brincadeira’ do contraste da linguagem visual com a linguagem falada – devidamente escrita num belíssimo roteiro foi a ferramenta fundamental para o sucesso de tal campanha.

Uma empresa que sabe usar a língua corretamente em suas interações de comunicação com seu público pode aumentar significativamente o seu sucesso em vendas.

Clientes não querem sentir-se ‘enrolados’ ao solicitar qualquer serviço, reparo, produto ou informação.

Um “Vou estar encaminhando sua solicitação ao setor responsável para que eles possam estar avaliando e posteriormente estar respondendo a sua questão” provoca a pior das sensações em quem ‘vai estar aguardando quando o responsável estará respondendo’. (meu corretor ortográfico aqui está reclamando da frase ‘vou estar encaminhando’, e sugere a substituição por ‘vou encaminhar’ [sic]).

Recordo-me que há alguns anos, eu era o terror dos atendentes de telemarketing. Primeiro por que os tratava mal à beça. Segundo por que a cada ‘vou estar fazendo algo’ eu simplesmente gritava d’outro lado da linha com um sonoro “Se você quiser fechar esta venda, fale direito comigo! E não maltrate o português, posto que ele não tem nada a ver com o fato de você não ter completado o ensino fundamental!”. Depois de tantas ocorrências, caí do cavalo quando, ansioso por proferir a mesma sentença por mera diversão, liguei para certa companhia telefônica e solicitei um serviço e fui atendido por mais de trinta minutos sem nenhum gerundismo. (E isso consome ao menos doze reais mensais até os dias de hoje em débito automático da conta telefônica!).

Em tempos de internet, a linguagem escrita torna-se fundamental para a perpetuação de uma boa imagem de uma empresa. A internet nunca esquece. Tudo o que é dito (escrito) on-line há de se perpetuar enquanto houver espaços de memória digital alimentados.

Uma empresa que trata seus clientes com descaso ou enrolação, mesmo que por um quantum de tempo, será lembrada por mecanismos de buscas por tais deslizes, e com páginas ‘cache’. Este efeito é potencializado ainda nos tempos atuais de web social, democrática e sem censura. Qualquer boçal (e nesse rol, também estão os comunicadores vinculados à empresas) pode expressar opiniões perpétuas sobre negócios, produtos e a imagem institucional de qualquer marca.

Ser conciso, objetivo e prático na solução de problemas é fundamental para a perpetuação de fidelidade da clientela e fomento de novos negócios em relacionamentos duradouros. E o primeiro despertar de confiança de um cliente em uma empresa é dado pela forma expressa da língua com este cliente. Seja esta expressão um script de telemarketing, um texto de um website, anúncio ou ainda nas palavras proferidas em seus funcionários durante as diversas oportunidades de interação.

No fim, o mau uso da linguagem (seja por gerundismos ou erros gramaticais diversos) pode tornar uma nova venda cada vez mais cara e trabalhosa. E uma empresa que não vende ou vai à bancarrota, ou é vencida.