Desafios do profissional de Educação…

Temo que o principal desafio de um profissional de Educação seja de caráter motivacional.

Ao passo que esse profissional deve ser um “intelectual”, ou seja, um indivíduo capaz de estabelecer linhas próprias de raciocínio e criação de conhecimento, creio que isso exija desse profissional um esforço efetivamente grande para exercer dignamente sua posição de mediador do processo de aprendizagem.

Via de regra, encontramos professores desta área alternando-se entre turnos para compor uma renda adequada para o estabelecimento de padrões relativamente dignos à sua condição de formador cultural da sociedade. No ínterim dessas alternâncias há de se considerar que este profissional deve desenvolver suas competências intelectuais com base em leitura e contato com as mais diversas manifestações artísticas e culturais.

Entre os minutos que sobram de sua jornada, divida entre o translado entre um posto e outro de trabalho, vivência familiar, contato com as manifestações artísticas, há de se considerar que este profissional tenha, de uma forma ou de outra, o acesso a algum tipo de convívio familiar o qual deve ele também estabelecer tempo suficiente para o cumprimento de suas atividades sócio-familiares para o estabelecimento e manutenção de sua saúde mental.

Este profissional ainda precisa encontrar algum tempo para o descanso merecido. Sua saúde física depende disso.

Ao estabelecer o contato com seus ‘pupilos’, este profissional pode deparar-se com diversas expectativas divergentes no que tange a interação (entenda-se aqui DESGASTE) emocional a ser estabelecida entre professor-aluno. Para temperar um pouco mais o cenário, há pouco incentivo de remuneração e benefícios que o permita conduzir sua formação continuada, isto é, a promoção de uma reciclagem educacional por parte de seus empregadores é extremamente rara, quando não é nula.

O questionamento feito, neste caso, é “como é possível” capacitar um profissional de educação para os aspectos intelectuais exigidos para que este profissional possa realizar sua “obrigação” de forma a obter uma qualidade efetiva de sua atuação de formador sem a aplicação de incentivos REAIS, não necessariamente vinculado aos pacotes de remuneração? Como motivar o profissional de ensino a realizar a formação concreta de indivíduos conscientes, éticos, cujos conhecimentos éticos, administrativos e pessoais se não há espaço o suficiente em sua agenda diária para que ele desenvolva seus aspectos intelectuais?

O professor e o ato de ensinar (Resenha)

O artigo científico objeto desta resenha é intitulado “O professor e o ato de ensinar” está disponível para consulta pública a partir do site Scientific Electronic Library Online (http://www.scielo.br).

Elizabeth Tunes possui graduação em Psicologia pela Universidade de Brasília (1971), mestrado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo (1976) e doutorado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo (1981). Atualmente é pesquisador associado da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento atuando principalmente nos seguintes temas: conhecimento científico e conhecimento escolar, relação professor-aluno, aprendizagem e desenvolvimento, desenvolvimento psicológico atípico e deficiência mental.
Texto informado pelo autor retirado da publicação de seu currículum do sistema Lattes disponível em < http://lattes.cnpq.br/0384208157289616 > acesso em 30 de setembro de 2008.

Maria Carmen Villela Rosa Tacca possui graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Franca (1974), mestrado em Educação pela Universidade de Brasília (1994) e doutorado em Psicologia pela Universidade de Brasília (2000). Conclui estudos de Pós-doutorado na PUC-Campinas, abordando a questão da aprendizagem relacionada à subjetividade humana em parceria com o Prof. Dr. Fernando Luis González Rey. É professora adjunta da Universidade de Brasília- Faculdade de Educação, atuando em ensino e pesquisa na graduação e pós-graduação. Seus estudos e pesquisas enfocam temas gerados na interface da Educação com a Psicologia , com interesse principal nos seguintes tópicos interelacionados: relação professor-aluno, processos comunicativos, a significação da aprendizagem, processo de escolarização e fracasso escolar, cotidiano da sala de aula, ação docente e desenvolvimeto da subjetividade na educação. Tudo isso abrangendo os diferentes níveis de ensino, ou seja, desde a educação infantil até o ensino superior e pós-graduação.
Texto informado pelo autor retirado da publicação de seu currículum do sistema Lattes disponível em <
http://lattes.cnpq.br/5871457781087655 > acesso em 30 de setembro de 2008.

Roberto dos Santos Bartholo Junior, é professor adjunto do Programa de Engenharia de Produção da COPPE – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua atuação profissional tem abrangido os seguintes temas: conhecimento, poder e ética, desenvolvimento social, desenvolvimento sustentável, turismo e desenvolvimento social e gestão social.
Texto informado pelo autor retirado da publicação de seu currículum do sistema Lattes disponível em <
http://lattes.cnpq.br/822640616321749 > acesso em 30 de setembro de 2008.

Referência

TUNES, Elizabeth; TACCA, Maria Carmen V. R.; BARTHOLO JUNIOR, Roberto dos Santos. O professor e o ato de ensinar. Cad. Pesqui. ,  São Paulo,  v. 35,  n. 126, 2005 .  Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742005000300008&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 27  Set  2008. doi: 10.1590/S0100-15742005000300008

Apresentação do artigo

O artigo apresenta a visão dos autores sobre o papel mediador do educador no ambiente de sala de aula a partir das considerações de expectativa de sua conduta mediadora na condução do ensino “instrucional” a partir do conceito de zona proximal de desenvolvimento culminando no entendimento de que o desenvolvimento do aluno é possível somente se houver sua participação efetiva dos envolvidos processo de significação considerando a função mister da educação de fomentar o estabelecimento de relações entre pares e contexto.

O conteúdo

O texto inicia com a introdução das premissas usadas pelos autores sobre o dinamismo das relações inter-pessoais e suas influências inerentes da subjetividade da percepção dos movimentos relacionais

Em seguida, os autores propõem a idéia fundamental da influência da natureza subjetiva da relação professor-aluno pautando-se no dinamismo subjetivo desta relação, o que induz a idéia de que, mesmo com seus papeis bem delimitados, as influências contextuais de ambos os envolvidos no processo são imperceptíveis em cada um deles durante a interação.

Descrevendo inicialmente a intenção do professor na promoção da aprendizagem, os autores conduzem o texto de forma a fazer-se entender de que as ações do professor têm seu objetivo cumprido se estiverem em consonância com o contexto receptivo do aluno, afirmando que o aluno dirige seu processo de aprendizagem. Os autores ratificam sua opinião a partir do pensamento de Vigotsky, incitando à questão fundamental do artigo: como descrever a relação professor-aluno a partir do conceito de zona proximal.

A partir de metáforas, os autores comparam as visões do papel do professor a partir das figuras do “Jardineiro” e do “Escultor” para descrever as expectativas de ação do professor, apresentando como gancho para a discussão a seguinte citação: “o educador jardineiro não tem confiança suficiente; o escultor tem-na em excesso” (Murphy, 1988, p.90).

Os autores discorrem sobre essas visões apresentando o fato de que um estudo cuidadoso da obra de Vigotsky não indica que este participasse da visão individualista da alternância entre as formas de educar do “jardineiro” (permissivo) e do “escultor” (autoritário). A evolução natural do texto, sob a ótica das relações entre professor e aluno, indica que tal interação deve estabelecer uma relação de diálogo e confiança entre os pares envolvidos no processo para que seja a aprendizagem eficaz.

Os trechos seguintes reforçam a idéia de simbiose entre os participantes que, por meio da mediação proposta por Vigotsky (nos símbolos sinais e demais instrumentos de aproximação entre as partes) estabelece-se também a “mediação pedagógica” da relação de confiança entre as partes. A relação simbiótica se caracteriza pela influência que ambos estabelecem nesse processo. O texto, ainda que por um breve momento, mescla a atuação do professor nessa relação como parte integrante do instrumento da aprendizagem.

A seguir, os autores apresentam alguns textos que corroboram a idéia desenvolvida no artigo.

Assim, os autores concluem afirmando que a compreensão que o professor tem do aluno afetam significativamente sua influência neste e que, para realizar uma influência positiva e responsável, o professor deve deixar que o aluno revele-se a ele por si mesmo. As metas e objetivos são importantes e seu papel de ‘instrumento’ da aprendizagem deve ser baseada no estabelecimento de uma relação de diálogo e confiança entre ambos.

Percepções sobre a idéia apresentada no artigo

O texto estabelece uma visão de que o Professor é um instrumento da aprendizagem e que, em sua atuação neste papel, é fortemente influenciado e “moldado” a partir da direção dada pelo aluno no processo de aprendizagem, mas tende a reduzir a importância da condução dada pelo “mestre” no estabelecimento REAL do que se objetiva ao “APRENDER”.

O passeio entre as visões extremas do jardineiro e do escultor dada no texto induziu à perda de referencial do papel do mestre na execução do processo. Quem indica o caminho, a meu ver, continua sendo o mestre. Quem recebe e aprende conduz apenas sua parte do processo de absorção.

Concordo que ambas as vertentes são importantes, mas não mais uma do que a outra. O aluno e o mestre devem estabelecer uma relação de confiança e cumplicidade no projeto “aprender”.