Nenhum homem é capaz de notar onde termina o poder e começa o saber

Uma aproximação de síntese das discussões realizadas sobre a História da Educação pode ser sugerida pela seguinte frase: “Há uma fronteira tão tênue entre o poder e o saber que nenhum homem é capaz de notar onde termina o poder e começa o saber.”.

Desde a idade antiga, a motivação para criar e disseminar conhecimento foi, principalmente, a manutenção do poder (através da geração de conhecimento) e a contenção/controle dos “dominados”, das massas (através das estratégias de difusão do conhecimento).

Cada estratégia em seu tempo é fortemente calcada no conceito de poder do momento e na forma da relação dominador-dominado. Ambas as partes das estratégias são re-alimentadas pelo conhecimento gerado e que escapam dos filtros de dominação tornando cada vez mais dinâmica a evolução e ajustes das estratégias de difusão do conhecimento.

Na Grécia antiga a estratégia da criação dos primeiros modelos pedagógicos baseou-se fortemente nas características de vivência de cada pólis. Atenas e Esparta, por exemplo, tinham modelos completamente distintos; Atenas com um modelo mais humanista e voltado às atividades esportivas enquanto a educação espartana tinha características fortemente influenciada pela severidade militar.

Na Idade média, o poder crescente da igreja norteou de maneira significativa a centralização da produção e difusão de conhecimento aos muros das abadias, mosteiros e, por fim, nas escolas sempre com o crivo forte de que, para obter o conhecimento, havia a necessidade de estar vinculado ao clero.

Na idade moderna, o movimento Renascentista e o Iluminismo abriram, de forma gradativa, as portas das igrejas contestando a “hegemonia da verdade” e posicionando o indivíduo como agente racional (“Penso, logo Existo!”) contestador e, assim, gerador de novas idéias e novos conhecimentos.

O modelo de vivência desta época, as evoluções tecnológicas influenciadas em grande parte pelas mudanças econômicas (Capitalismo (?)) provocaram a necessidade de haver mais pessoas instruídas nos novos ofícios. Mais uma vez a estratégia de disseminação de conhecimento está vinculada ao poder, agora econômico.

O advento da idade contemporânea, por sua vez não mudou a relação entre poder, saber e suas estratégias de difusão. A necessidade (econômica) de transformar o homem (entenda-se nesse caso também a inclusão das minorias nessa conta) em um ser capaz de ser mais ativo e autônomo na “nova” sociedade. Em cada tempo e região, as formas impostas ou sugeridas para os “modelos educacionais” seguiram os interesses das lideranças (ex. Adolf Hittler e sua “Lei da escola básica”) ou os interesses econômicos (tornar o cidadão mais apto às necessidades de produção – ex: A escola única – França, Lei Fishcer – Inglaterra).

Seguem ainda em discussão diversas formatos e idéias de modelos pedagógicos (rechaçados, aclamados e/ou ainda em experimentação) por “intelectuais da pedagogia”, mas, em seu cerne, a adoção ou não de modelos é aplicada conforme os interesses da parte “dominadora” da sociedade, a saber, governo e detentores de poder econômico.

Não basta que o modelo seja bom e adequado às necessidades pedagógicas de quem deveria ser beneficiado com sua aplicação. Um modelo é realmente bom quando, ao mesmo tempo, atende as necessidades pedagógicas e aos interesses dos gestores sociais (governo e classes economicamente dominantes).