O impacto de uma formatura II – O discurso do Patrono

Discurso – Prof. Mauro Zamaro, Patrono dos formandos do curso de Ciência da Computação – FATECE.

Em primeiro lugar gostaria de agradecer a honra de estar aqui, na condição de patrono dessa turma. Este momento é, para mim, um daqueles momentos memoráveis na vida de um professor onde o melhor reconhecimento possível vem diretamente dos beneficiários do ofício de mediar a aprendizagem.
O contraste entre ter sido escolhido patrono dessa turma e a quantidade de tempo que convivemos – último semestre de curso – corrobora minha convicção de que a qualidade do tempo que você dedica às pessoas tem uma eficácia muito maior do que a quantidade de tempo em que você está perto delas.
Vocês, meus caros, sabem muito bem que toda a mágica desse momento só é possível porque vocês tiveram a coragem de deixar a sua “zona de conforto” durante os últimos quatro anos. O êxito nunca é fácil! Nas condições normais de temperatura e pressão que a vida nos impõe, somente os competentes se superam e realizam os seus sonhos.
Não são os “fortes” que vencem. São os competentes! Há aqueles que se estabelecem pela força, mas suas conquistas não são duradouras ou sequer prazerosas. Somente aqueles que se estabelecem por sua competência alcançam o real significado da palavra “SUCESSO”.
Lanço a vocês, agora companheiros no mercado de trabalho, algumas recomendações. Afinal, vocês me escolheram para patrono e deram-me a liberdade de dirigir-lhes a palavra com a mesma autoridade de um pai ou padrinho.

  1. Tornem-se substituíveis em seus cargos. Parece uma recomendação insana num mercado extremamente competitivo, mas somente quando vocês souberem abdicar da vaidade de ser essencial para uma determinada função é que vocês conseguirão as oportunidades de crescer em sua profissão.
  2. Deixem sua marca de forma positiva e indelével em qualquer atividade ou função que realizarem ao longo de sua vida. São as pessoas que criam as oportunidades, que por sua vez, serão compartilhadas primeiro com aqueles que são lembrados com carinho.
  3. Não trabalhem demais. Se você fizer todo o trabalho hoje, pode não sobrar trabalho para amanhã, ou pior, pode não sobrar você para amanhã
  4. Nuca pare de estudar. Quanto mais estudamos maior é a nossa consciência do quanto falta para aprender, e mais tempo o corpo se ocupa em continuar vivo. Não limite seus estudos ao seu tema favorito, pois assim o cérebro se acomoda e sua fonte de inovação se esgota.
  5. Dê atenção verdadeira às pessoas. É com elas que você aprende coisas novas. É por elas que a sua vida vale a pena. Todas as pessoas têm algo a ensinar. Todas as pessoas têm muito a aprender.
  6. Esforços hercúleos não adiantam absolutamente nada sem resultados. É melhor trabalhar de forma inteligente. Procure soluções e não culpados. “É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro. Evita o aperto de mão de um possível aliado.” (Por quem os sinos dobram – Raul Seixas)
  7. Uma conferida a mais sempre leva a uma enrascada a menos. Se você não tiver tempo para fazer algo bem feito, terá de arrumar tempo para fazer de novo.

Apesar dessas recomendações, mesmo que vocês as sigam sistematicamente haverá momentos em que vocês vão encontrar situações profissionais ou pessoais onde o único conselho válido é:
– “[…] Apenas sorria e acene.” (Pinguins de Madagascar)
Muito obrigado.

O tempo e a pressa

 

Todo o anseio ocorre no

Tempo Certo

nem antes

nem depois

Tudo ocorre no tempo certo

e o tempo

que torna

perene a minha alma

poeira a minha casca

e passa manso

a lembrar-me

calmamente

que é meu algoz e senhor

e eu que insisto

em vão

torná-lo escravo

(posto que é patrão)

(posto que é Feitor)

(posto que é grilhão)

Tempo esse que

corroi toda a minha entranha

e faz juz

à fama

de refrigério da alma

que espera

calmamente

pelo dom da paciência

que

normalmente

chega

quando dela não careço mais!

(Mauro Zamaro – Maio/2011)

 

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(esta ilustração acima teve a devida autorização do autor, o amigo JBosco – Lápis de Memória)

Otempoeapressa (Medium)

Palmeiras x Grêmio (18/11/2009) (via Technicians in a square-balls’ world)

O jogo aconteceu em 2009, mas acho que vale a pena refletir sobre os seus resultados…e de como é melhor quando se trabalha em equipe no modelo “ganha-ganha” 🙂

Eu não gosto de futebol! Mas desde um almoço desses com os colegas, passei a ouvir com mais regularidade os jogos do campeonato brasileiro e tentar me inteirar um pouco sobre o assunto. Esse jogo, em especial, foi algo surreal. O Obina e o Maurício (ambos do Palmeiras) se desentenderam e ‘'partiram para as vias de fato’ ao fim do primeiro tempo posto que o Grêmio tinha feito um gol e o glorioso Palmeiras precisava dessa vitória para ter chances d … Read More

via Technicians in a square-balls' world

Working class hero?

Há tempos eu não tenho tido tempo suficiente para aplicar a minha verborréia nesse blog. Muitas coisas têm acontecido nesse início (quase meio) de 2011.

Apesar de estar viajando mais do que antes a trabalho, tenho tido ótimos momentos muito bem vividos com o meu pequeno gurizinho.

Noutro dia ele me disse que quando crescer ele vai querer ser ENTREGADOR DE JORNAL E REVISTAS…

Ainda estou aprendendo a ser pai… eu simplesmente respondi a ele: “Filho, você pode ser o que quiser quando crescer, desde que seja feliz.” e ele ficou lá … me olhando com aquela cara de “Ué?!” e, com um sorrisinho maroto nos lábios, logo voltou a brincar.

Julio (Small)

Enquanto esperava meu motorista coletivo (o famigerado Busão) essa lembrança me veio à mente junto com a letra de uma músicas das mais intrigantes – na minha visão – do meu querido Jão Lennon: Working Class Hero.

Enquanto tomava o café e observava as atendentes do quiosque da rodoviária, pensei no meu guri que acha o máximo ser “entregador de jornais”, na greve dos lixeiros de Americana que vi hoje no telejornal na hora do almoço na padoca do Dedé, na cara do seu Zé – motorista do ônibus que vez ou outra tira um cochilo ao volante quando dobra de turno –, nos caras que recolhem o lixo do escritório na hora do almoço na sede de São Paulo, no manobrista do estacionamento, no sujeito que recolhe as bandejas com pratos sujos nas praças de alimentação e nas diversas pessoas ‘invisíveis’ nas quais esbarramos todos os dias sem sequer falar um mísero “bom dia”…O que será que se passa na cabeça desse moleque em querer ser “entregador de jornal” quando crescer? Como é que será a ‘percepção’ que ele tem quando vê o ‘entregador de jornal’? Que tipo de sinapses são formadas na cacholinha dessa criatura naquele momento? Putz! O que é que significa sucesso?

Eu me recordo de querer cursar a faculdade de música quando estava prestando o vestibular… e me lembro de ter ouvido também que ‘ninguém em casa ia sustentar um vagabundo  estudante num curso de música’. Faça algo como  “engenharia, direito, medicina, enfim… um curso NORMAL” para ser um profissional de SUCESSO. Putz… enfim: A ordem era ser “MAIS DO MESMO”!

E assim foi com a média dos  meus amigos…

E ainda é assim com a média dos indivíduos massificados e que devem ser colocados no molde social do “aceitável’” e do “sucesso”.

Sucesso, para a maior parte dos ‘pais’ é o filho estar numa direção de uma multinacional, ser um médico renomado, um advogado brilhante… ter um carrão de não sei quantos mil dólares, ter iPhones, iPads, iPhodes, Se casar com uma moça magra, ter … ter isso, ter aquilo… enfim…

Nenhum sucesso social é medido pelo IFI – Índice de Felicidade do Indivíduo.

Muitos pais treinam filhos medianos – minando sua auto-estima – e esperam que os professores os tornem profissionais de sucesso conforme o preço da mensalidade da escola na qual depositam sua cria. E eu não estou contando aqui os pais que não tem a opção de colocar os filhos em uma escola particular e se sujeitam ao sistema público de ensino dilapidado pela corrupção dos políticos que todos nós colocamos no poder. Esses últimos estão ainda abaixo dos ‘medianos’.

Uma vez, um amigo reclamou comigo, preocupadíssimo,  que seu filho adolescente estava se interessando mais por cavalos, bois, galinhas e afins do que pelas disciplinas da escola.

Ele me disse:

– “Eu falei pra ele que se ele quiser ser alguém na vida ele precisaria se esforçar mais do que vêm fazendo, mas não sei se ele entendeu o que eu disse.”

Respondi com uma batelada de perguntas (coisa que não se faz!) :

“Você crê mesmo que o sucesso está nos livros? O que ele ganha se ele se formar como você?”

Antes que ele pudesse pensar numa resposta, emendei:

“Uma mesa, um computador e uma batelada de problemas que não são culpa dele mas que ele terá que resolver, como você faz todos os dias depois de 2h de deslocamento da sua casa até o seu escritório.” 

Estranhamente, ficamos quietos por cerca de 2 horas no ônibus depois dessa minha indelicadeza refletindo sobre o significado da palavra SUCESSO…


Working Class Hero

John Lennon

As soon as you’re born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you’re clever and they despise a fool
Till you’re so fucking crazy you can’t follow their rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they’ve tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can’t really function you’re so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you’re so clever and classless and free
But you’re still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There’s room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me

Ensinar: Uma atividade complexa e laboriosa–Resenha

Resenha do texto: “Ensinar: Uma atividade Complexa e laboriosa”

Para ambientação, vale a pena dar uma olhada nesse post

Veiga, I P A Ensinar: Uma atividade complexa e laboriosa, in: VEIGA, I P A (org) Lições de Didática. Campinas: São Paulo, 3ª Edição, 2008. – pág 13 a 33.

O texto “Ensinar: Uma atividade complexa e laboriosa” de Ilma Passos Alencastro Veiga é, no mínimo, um insulto à inteligência de qualquer indivíduo realmente preocupado com os resultados efetivos que se espera da práxis docente.

Recheado de construções prolixas e sem sentido, o texto é uma pretensão da autora em, a partir de quatro óticas de concepções do ‘ato de ensinar’ elencar nas características básicas do ensino, o significado da ação de ensinar.

Na revisão das perspectivas teóricas do ensino, a autora elenca as quatro vertentes e tenta – em vão – explicar suscintamente o sentido de cada uma delas. Confesso que após a oitava leitura eu fiquei convencido de a minha incapacidade de compreender os conceitos não era um problema cognitivo meu, e sim, um problema de redação da autora.

A autora “chove no molhado” ao discorrer, supostamente embasada em 54 registros realizados por professores da educação básica até o ensino superior, de que o ensino exige planejamento por parte do docente, que é um processo que envolve afetividade entre o mediador e mediado, que é um trabalho interativo e que demanda envolvimento de todas as partes integrantes do processo e que [pelo amor de Deus] “o ensino é uma ocupação cada vez mais complexa, que remete a uma diversidade de outras tarefas além das aulas em classe”.

Minha pergunta é: era realmente necessário encher 15 páginas de puro lero-lero ou, de forma mais elegante, de puro “colóquio flácido para acalentar bovinos”[1] para concluir o que todo mundo já está “careca de saber”. Eu realmente gostaria de saber quem são os ‘salafrários’ que financiam autores tão ordinários.

Brilhantemente, a autora conclui que “o ensino é complexo e requer um marco teórico cada vez mais indagador e rigoroso para investigar os fundamentos e práticas formativas” e que “o ensino é carregado de razão e emoção, é o espaço para a vida, para a vivência das relações entre professores e alunos para a ampliação da convivência socioafetiva e cultural dos alunos”

Minha conclusão é: Deus que me livre e guarde de encontrar um professor assim enquanto eu for aluno!

Tenha santa paciência, Batman!


[1] Ou no jargão popular: Conversa mole para boi dormir!

O impacto de uma formatura…

Este post, diferente dos demais, é um desabafo despretensioso além de uma forma de compartilhar com vocês, nobres leitores,  o que acontece com uma pessoa quando ela participa de uma formatura (especialmente, a sua própria formatura!)

Antes, porém, deixe-me explicar o contexto:

Eu iniciei minha jornada acadêmica em 1994, ao ingressar no curso de Engenharia Elétrica na Escola Federal de Engenharia de Itajubá. Não que eu soubesse o que queria fazer da minha vida profissional… Meu objetivo era claro: Passar em uma federal para parar de pagar o cursinho – sendo que parte era pago com o meu suor e trabalho.

Ok, tentei permanecer num curso do qual eu não gostava, enfrentei as greves de professores e funcionários, engajei-me nos movimentos religiosos locais, nos movimentos estudantis… enfim. Aprendi muito durante uns 5 ou 6 anos da engenharia – mesmo não tendo evoluído tanto a vida acadêmica nesse curso. Aprendi especialmente como acender uma churrasqueira… e a engenharia ficava sistematicamente para trás.

Num dado momento, achei que seria melhor mudar de curso… a universidade tinha acabado de abrir 9 novos cursos, dentre eles, o de Ciência da Computação… Enfrentei um novo vestibular e passei (de novo, na mesma universidade federal).

Aí eu gostava do curso – em tese não havia desculpas para não concluí-lo! Eu só não contava com o desgaste da minha relação com aquele espaço, professores, etc. Um novo engajamento no movimento estudantil me tirou novamente da sala de aula. Aprendi naqueles dois anos tudo o que se pode aprender sobre empreender, administração de uma empresa, custo, trabalho em equipe e, principalmente, que você pode conseguir bastante experiência apenas por conhecer as pessoas.

O desgaste só aumentou – e parte disso, por uma incrível, incomensurável falta de maturidade da minha parte adicionada a um princípio de alcoolismo no qual eu imbecilmente engatei.

O ápice da minha frustração velada foi estar à mesa da formatura da minha turma de engenharia como presidente do diretório acadêmico. Estava eu lá, cumprimentando um a um, felicitando-os pela capacidade que eles tiveram de estar ali com seus graus de engenheiros colados e eu lá, feito um otário vendo o sucesso deles passar bem abaixo do meu nariz.

Naqueles dias eu chorei feito um menino de colo com cólicas homéricas ao lado de várias garrafas de conhaque.

Então decidi dar um basta naquele sofrimento! Chutei o balde! Enfiei o pé na jaca como nunca havia imaginado que seria possível fazê-lo! Eu simplesmente defequei violentamente na minha vida e fui-me embora pra sumpaulo

Tava ruim lá na bahia,

profissão de bóia fria,

trabaiando noite e dia,

num era isso que eu quiria…

e eu vim me imbora pra sumpaulo!

Vim no lombo de um jumento,

enfrentando chuva e vento e

dando uns peidos fedorentos..

que até minha bunda fez um caaaaaaaaaaalo!!

(Mamonas Assassinas)

seduzido pelas promessas de trabalho e por todas as potencialidades da minha ‘brilhante’ capacidade de superar todos os obstáculos como “SUPERHOMEM” que eu julgava ser.

Afinal, Quem precisa de uma mer$$ de diploma?

…bradava o imbecil prepotente que hoje vos escreve.

Eu só não imaginava que meu inferno velado tinha aberto suas portas e me saudava com diversas homenagens ao idiota que nele adentrava com o tapete vermelho estendido. “Viva o imbecil! Vida longa ao idiota!”

Durante minha estada profissional, tive muita sorte de encontrar, graças a um Deus que eu renegava, e um pouco do meu alto grau de “Sivirômetro”, boas oportunidades profissionais.

Durante essa época, tentei retomar os estudos em uma faculdade local. Mas minha arrogância não me permitiu ter a paciência de um aluno. Eu queria pular as etapas e tornar-me mestre!

Com a previsão da chegada do meu guri, minha namorada que se tornou esposa de fato, já diplomada em Ciências Jurídicas e em Pedagogia me disse: “Mauro, você TEM de ter um diploma.” Você VAI voltar à faculdade (coisa que só uma esposa é capaz de fazer! Mandar o marido fazer alguma coisa.Smile e o marido que é sábio, obedece!

O fato é que ingressei no curso de Licenciatura em Computação, EAD, no Centro Universitário Claretiano.

Foram 3+1 anos de pura pauleira – a quem acha que um curso à distância é moleza, digo-lhes que um “curso presencial é moleza!”

EAD é só para os MELHORES!

A vida é muito dura pra quem é mole (meu pai dizia isso!)

Após algumas lutas para entregar todas as pendências, relatórios, atestados e declarações consegui ser inserido na cerimônia de colação de grau.

Eu não estava preparado para isso. Eu nem sabia como me comportar sendo um formando. Não sabia o que eu estava fazendo ali. Eu só tinha perguntas em mente: Putz, não tá faltando nada mesmo? Não falta entregar mais nenhum relatório, nenhuma ‘pendência acadêmica’? O que eu faço agora com este canudo? [ por favor, não responda! ]  Acabou mesmo? eEta etapa está completa?

E agora? No que esta coisa me torna melhor?

Eu acho que consegui chegar a uma resposta satisfatória!

Perdemos tanto tempo cumprindo tarefas secundárias, sem valor, sem agregação prática, sem alegria, sem desafios efetivos, sem nenhum retorno para satisfazer o ego dos outros – família, trabalho e demais agregados – que não paramos para ‘celebrar’ as conquistas.

O diploma é só um marco, uma CELEBRAÇÃO da conquista árdua e sofrida diante da vida que, por nossas próprias escolhas, pode parecer mais dura do que é de verdade.

O que importa no diploma é o resultado que ele sintetiza depois de tanto esforço.

SAM_0674 (Small)

e a quem acha que diploma não vale nada, minha única recomendação é:

Vá estudar e se, ao final, sua opinião sobre a importância  se manter, a única conclusão que se pode chegar é de que você não se esforçou o suficiente.”