Educação, Poder e a formação do “Tirano”

a formação do “tirano” se dá entre o povo à medida que seu conhecimento se desenvolve e, em busca de poder, angaria o consentimento popular a fim de confirmar o seu status de liderança.

O “tirano” em questão representa um membro do povo com características de liderança inata à sua personalidade.

Os modelos políticos usados na Grécia antiga, especialmente em Atenas, permitiram um desenvolvimento educacional propício a alimentar o desejo de angariar poder.

O desenvolvimento intelectual promove o homem à condição de indivíduo crítico em busca de algo além de sua “sobrevivência”, isto é, a participação ativa em sua comunidade.

Em conflito com a aristocracia e desejando ocupar o lugar ocupado pelos aristocratas, o tirano busca justamente sua base de apoio popular para consolidar força e poder. Este ainda alimenta o “demos” para garantir a manutenção desse estado de poder e liderança enquanto lhe for conveniente.

Tal idéia foi, muito tempo depois, revistado pelo ‘cientista político’ Nicolas Maquiavel em O Príncipe cujo argumento central era de que, para manter-se no poder, o Príncipe deve antes procurar ser temido que amado, mas, sempre que possível, a melhor tática é ser temido e amado.

O nivelamento social praticado para conter a crise da época arcaica favoreceu a formação e manutenção do tirano no poder. Esse nivelamento proporcionou um desenvolvimento sócio-cultural do povo que, em retribuição, mantinha o tirano no seu devido lugar (o trono).

Os modelos políticos usados em Atenas e Esparta influenciaram significativamente na construção dos modelos educacionais dessas duas polis bem como na forma de acesso de seus cidadãos à educação formal.

Em Roma com a forte influência da cultura grega, tais aspectos parecem “repetir” esse desenvolvimento educacional nos mesmos moldes, baseando-se também na influência política e na ênfase romana na apreciação do direito.